Super El Niño já está extremamente forte e pode provocar mais de 470 mm de chuva até setembro, afirma meteorologista
Risco de eventos extremos, como enchentes e tempo severo no Sul do Brasil, pode ser registrado já nas próximas semanas
Segundo o meteorologista da Climaterra, Ronaldo Coutinho, o El Niño já atingiu o patamar de “Super El Niño”, conforme as projeções indicavam.
De acordo com o especialista, a última medição nas regiões Niño 3 e 4 — áreas utilizadas para monitorar a temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial — apontou uma anomalia de 2,3°C acima da média, índice que caracteriza o fenômeno como “extremamente forte“.
“A consequência disso é a chuva”, afirma Coutinho. Segundo o meteorologista, até 31 de agosto deve chover de forma expressiva em estados como Amazonas, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Minas Gerais. Também há previsão de acumulados significativos para o Nordeste.
Já na Região Sul, o volume de chuva previsto é ainda maior. Até 24 de setembro, os temporais previstos para os três estados do Sul podem provocar acumulados superiores a 470 milímetros, principalmente no Oeste de Santa Catarina e no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Mapa indica acumulados de até 473 mm de chuva até 24 de setembroFoto: @clima.terra/Instagram/Reprodução/ND Mais
Coutinho afirma que até mesmo a faixa central do país, que normalmente não registra volumes expressivos de chuva nesta época, deve ter precipitações significativas ao longo das próximas semanas. “Vai chover bem em setembro aqui para o Centro-Oeste, para o pessoal plantar, e depois vem o corte da chuva”, diz.
Para a Região Sul, o meteorologista faz um alerta para o risco de eventos extremos, com “enchentes e tempo severo agora nessas próximas semanas”.
Em vídeo publicado no Instagram, Coutinho afirmou que seu papel, como meteorologista, é reforçar a importância da informação antecipada, da prevenção e do acompanhamento constante das atualizações meteorológicas. Em situações de maior risco, ele recomenda que a população siga as orientações da Defesa Civil.
O especialista também orienta que o Corpo de Bombeiros, as prefeituras e os demais órgãos oficiais sejam consultados.
Ainda segundo o meteorologista, produtores rurais, transportadoras, empresas, cooperativas, gestores públicos e famílias que vivem em áreas mais vulneráveis também devem se planejar com antecedência diante dos impactos que podem ser provocados pelo avanço do fenômeno.
Super El Niño pode ser o mais intenso dos últimos 150 anos
Estimado como o El Niño mais intenso desde o início dos monitoramentos, em 1950, o fenômeno que se estabeleceu em 2026 deve continuar se fortalecendo até o fim do ano. Segundo informações do R7, o evento também pode se tornar o mais forte dos últimos 150 anos.
Segundo previsão da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), divulgada em 3 de agosto, a tendência é de um aumento ainda maior do aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. A temperatura da superfície do mar já está acima da média, mantendo essa condição desde junho.
Mudanças na circulação dos ventos e na distribuição das áreas de chuva também reforçam a presença do fenômeno no planeta.
El Niño pode persistir até a primavera de 2027
De acordo com a previsão mais recente da NOAA, há 97% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.
A estação começará oficialmente em 20 de março de 2027, às 20h25 UTC (17h25, no horário de Brasília), e durará até o solstício de verão, em 21 de junho de 2027.
No Hemisfério Sul, a probabilidade é de que o fenômeno se estenda por mais tempo do que o normal e seja sentido até o outono do próximo ano. Antes disso, o Climate Prediction Center estima 81% de chance de o episódio atingir a categoria de El Niño muito forte durante o trimestre entre outubro e dezembro de 2026.
FONTE: NDMAIS

