Portugal remove mais de 2 milhões de toneladas de areia do fundo do mar

Portugal remove mais de 2 milhões de toneladas de areia do fundo do mar

Portugal vai despejar 1,4 milhão de m³ de areia em praias do Algarve para conter a erosão costeira e proteger a faixa litorânea local. (Imagem: Ilustrativa)

Operação no Algarve prevê retirar areia de uma área submarina e reforçar praias vulneráveis, em uma intervenção que expõe como países costeiros tentam lidar com erosão, turismo, segurança e mudanças naturais no litoral.

Portugal prepara uma operação de reposição artificial de areia no litoral do Algarve para conter a erosão em um trecho considerado vulnerável da costa sul do país.

A intervenção ocorre entre Quarteira e Garrão, no município de Loulé, e prevê a movimentação de cerca de 1,4 milhão de metros cúbicos de areia ao longo de aproximadamente 6,7 quilômetros de praias.

A obra é conduzida pela Agência Portuguesa do Ambiente, a APA, no âmbito do Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura–Vila Real de Santo António.

Segundo o governo português, o projeto tem como objetivo reduzir os efeitos da erosão costeira, reforçar a segurança das populações e estabilizar a frente marítima atendida pela intervenção.

Como funciona a reposição de areia nas praias do Algarve

A técnica usada no Algarve é conhecida como alimentação artificial de praias.

O procedimento consiste em retirar sedimentos de uma área submarina previamente definida e transportá-los para a faixa costeira que perdeu areia ao longo do tempo.

Depois disso, o material é lançado na praia para aumentar a largura do areal e criar uma faixa de proteção contra a ação das ondas.

Entre Quarteira e Garrão, a areia vem de uma zona de empréstimo localizada ao largo da costa.

A operação utiliza tubulações instaladas no mar, que levam os sedimentos até os pontos selecionados para o reforço das praias.

De acordo com informações divulgadas pela APA e reproduzidas por veículos portugueses, a instalação dessa estrutura ocorreu entre 2 e 3 de abril, antes do início da alimentação das praias no dia seguinte.

A previsão oficial é que a intervenção permita um alargamento médio do areal de cerca de 37 a 37,5 metros.

Esse aumento de largura é tratado pelas autoridades portuguesas como uma forma de ampliar a proteção da faixa costeira e melhorar as condições de uso das praias, sem alterar a função natural do areal como zona de transição entre o mar e a área ocupada em terra.

Recarga de Areia entre Forte Novo e Garrão (Imagem: Reprodução

Por que o litoral de Loulé precisa receber areia

O litoral do Algarve reúne praias turísticas, áreas urbanizadas, arribas e zonas naturais associadas à dinâmica costeira.

Em vários pontos, a linha de costa registra perda de sedimentos, processo relacionado à ação das ondas, às correntes marítimas, a temporais e à ocupação da faixa costeira.

Quando a reposição natural de areia não acompanha a remoção provocada pelo mar, a praia tende a diminuir.

No trecho entre Quarteira e Garrão, a vulnerabilidade à erosão já havia motivado intervenções anteriores.

Documentos técnicos associados ao processo ambiental registram ações de realimentação de praias em diferentes anos, como 1998/1999, 2006 e 2010, com objetivos ligados à proteção costeira e ao afastamento de pessoas de zonas de risco junto às arribas.

A APA informou que a obra atual busca “mitigar os efeitos da erosão, reforçar a resiliência do litoral algarvio e garantir melhores condições de segurança e usufruto para residentes e visitantes”.

A declaração indica a finalidade institucional da intervenção e atribui às autoridades ambientais a avaliação sobre os benefícios esperados para o território.

Escala da obra chama atenção pelo volume de areia

O volume previsto, de 1,4 milhão de metros cúbicos, dimensiona a escala da intervenção.

A quantidade será distribuída ao longo de cerca de 6,7 quilômetros de frente costeira, com deposição progressiva em diferentes segmentos do litoral de Loulé.

Segundo a APA, o cronograma foi dividido para permitir uma execução controlada da alimentação artificial.

A intervenção contempla áreas como Trafal, Vale do Lobo, Garrão, Forte Novo e Quarteira.

A programação divulgada pelas autoridades portuguesas previa a passagem por esses trechos em etapas sucessivas, com conclusão estimada para antes da época balnear.

Essa divisão operacional busca organizar a deposição de sedimentos e reduzir interferências simultâneas em toda a frente costeira.

A APA também informou que o faseamento ocorreu em articulação com o Património Cultural, I.P., órgão português ligado à proteção do patrimônio cultural.

Esse acompanhamento é necessário em obras marítimas e dragagens porque áreas costeiras podem conter bens arqueológicos, vestígios submersos ou elementos protegidos pela legislação patrimonial.

Alimentação artificial não torna a praia permanente

A alimentação artificial de praias é uma medida de gestão costeira, mas não interrompe de forma definitiva a dinâmica natural do litoral.

Parte da areia depositada pode ser redistribuída por ondas e correntes após a intervenção, especialmente em períodos de maior agitação marítima.

Esse comportamento é considerado em projetos do tipo, que normalmente dependem de monitoramento posterior.

Em documentos técnicos sobre intervenções anteriores na região, há registro de perda parcial do volume de areia colocado em operações passadas.

No caso da ação realizada em 2010, o relatório consultado indicava que parte relevante do material depositado já havia desaparecido anos depois.

O dado mostra que a reposição artificial tende a funcionar como medida de adaptação e manutenção, não como solução definitiva para a erosão.

Ainda assim, a opção por reforçar praias com sedimentos é usada em diferentes zonas costeiras porque preserva o areal como área de lazer e como elemento de proteção física.

No Algarve, esse tipo de intervenção também está ligado ao uso turístico das praias e à necessidade de reduzir riscos em áreas próximas a arribas, acessos, equipamentos e zonas frequentadas por moradores e visitantes.

Assista o vídeo

Gestão costeira em Portugal e erosão no Algarve

A operação entre Quarteira e Garrão integra uma estratégia mais ampla de proteção costeira em Portugal, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente.

O governo português informou que a intervenção se insere em políticas voltadas à estabilidade da frente marítima e à segurança das populações em áreas expostas à erosão.

O Ministério do Ambiente e Energia afirmou que o projeto recebeu Estudo de Impacte Ambiental e a respectiva Declaração de Impacte Ambiental antes do avanço da obra.

A mesma comunicação indicou investimento de 14,9 milhões de euros e informou que o concurso público internacional havia sido lançado em 3 de setembro de 2025, com adjudicação à empresa Dravosa S.A.

A intervenção também envolve uma questão científica e ambiental mais ampla: praias não são estruturas fixas.

Elas mudam conforme o transporte de sedimentos, o regime de ondas, a intensidade de tempestades e a ocupação humana no entorno.

Por isso, obras de alimentação artificial costumam ser acompanhadas por monitoramento técnico, que permite avaliar quanto do material permanece no sistema e como a linha de costa responde ao reforço.

No curto prazo, a reposição de areia busca aumentar a largura do areal e reduzir a exposição direta da costa à ação do mar.

Em períodos mais longos, o acompanhamento da região deve indicar se novas intervenções serão necessárias e em que intervalos.

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