Pelo bem da sua saúde, pare de fazer isso a noite: os 5 hábitos noturnos que elevam o risco de infarto
A rotina das últimas horas do dia influencia diretamente a saúde do coração, e alguns hábitos noturnos podem aumentar o risco de hipertensão, arritmias e infarto.
O coração também precisa descansar, e a forma como você passa as últimas horas do dia pode fazer muito mais diferença do que parece. Especialistas alertam que alguns hábitos noturnos aparentemente inofensivos estão diretamente ligados ao aumento da pressão arterial, inflamações e sobrecarga do sistema cardiovascular, fatores que elevam o risco de infarto ao longo dos anos.
Isso acontece porque, durante o sono, o organismo entra em um processo natural de recuperação: a frequência cardíaca desacelera, a pressão tende a cair e o corpo aproveita esse período para regular hormônios e reparar tecidos. O problema começa quando a rotina da noite interrompe esse ciclo. Comer muito tarde, dormir pouco e até levar o celular para a cama podem manter o organismo em estado constante de alerta, e o coração sente os efeitos.
Jantar tarde faz o corpo trabalhar quando ele deveria desacelerar
Existe um motivo muito simples para médicos recomendarem refeições mais leves no período da noite. Quando a pessoa janta perto da hora de dormir, principalmente em grandes quantidades, o organismo continua trabalhando intensamente na digestão no momento em que deveria entrar em repouso. Isso pode elevar os níveis de açúcar e gordura no sangue durante a madrugada, além de dificultar a queda natural da pressão arterial e da frequência cardíaca.
Com o tempo, esse padrão favorece ganho de peso, aumento da gordura abdominal e hipertensão, três fatores associados ao risco cardiovascular. Por isso, médicos recomendam deixar um intervalo de duas a três horas entre o jantar e o momento de deitar.
Dormir pouco mantém o coração em estado de alerta
O corpo até pode se acostumar a dormir pouco, mas o coração não passa ileso por isso. Dormir menos de seis horas por noite reduz o tempo de recuperação do organismo e aumenta a produção de cortisol, hormônio ligado ao estresse. Isso significa que o corpo permanece em estado de alerta mesmo durante a madrugada. A pressão arterial sobe, processos inflamatórios se intensificam e os vasos sanguíneos sofrem mais desgaste ao longo do tempo. Esse impacto é ainda maior em pessoas que já convivem com fatores de risco como sedentarismo, estresse elevado ou histórico familiar de doenças cardíacas.
Mexer no celular antes de dormir atrapalha o sono

Mexer no celular antes de dormir mantém o cérebro em estado de alerta, prejudica a qualidade do sono e impede que o coração desacelere adequadamente durante a noite
Todo mundo já escutou que mexer no celular antes de dormir não é uma boa prática. Aquela olhadinha rápida nas redes sociais pode ter consequências maiores do que parece. Isso porque o uso de telas à noite interfere diretamente na produção de melatonina, hormônio responsável por preparar o corpo para o sono.
Além da luminosidade das telas, o próprio estímulo mental causado por vídeos, mensagens e notificações mantém o cérebro ativo por mais tempo. Como consequência, o indivíduo tem um sono mais superficial, fragmentado e menos reparador. Quando esse hábito se torna frequente, o sistema cardiovascular deixa de aproveitar o período de recuperação natural, aumentando o desgaste do organismo.
Álcool à noite pode piorar a qualidade do descanso
Muita gente acredita que bebidas alcoólicas ajudam a dormir melhor, mas o efeito real no organismo costuma ser o contrário. Apesar da sensação inicial de relaxamento, o álcool prejudica as fases mais profundas do sono e interfere no equilíbrio do sistema cardiovascular durante a madrugada.
Além disso, o consumo frequente pode provocar alterações na pressão arterial e aumentar episódios de arritmia cardíaca, especialmente em pessoas predispostas. O problema se torna ainda mais preocupante quando o hábito é combinado com noites curtas e alimentação inadequada.
Ignorar o ronco é um erro perigoso
Roncar não é apenas um desconforto para quem divide o quarto. Em muitos casos, o ronco frequente pode ser um sinal de apneia do sono, condição em que a respiração sofre interrupções repetidas durante a noite. Essas pausas fazem o organismo entrar em alerta diversas vezes enquanto a pessoa dorme, aumentando a pressão arterial e sobrecarregando o coração continuamente. Por isso, roncos intensos, sensação de cansaço constante e acordar frequentemente durante a madrugada merecem atenção médica.
Pequenas mudanças na rotina podem aliviar a sobrecarga do coração
Criar uma rotina noturna mais equilibrada pode ajudar na qualidade do sono e na saúde cardiovascular a longo prazo. Evitar estimulantes no fim do dia, reduzir o uso de telas e estabelecer horários regulares para dormir são medidas simples que ajudam o corpo a entrar em repouso de forma mais eficiente. Afinal, o coração trabalha o tempo todo, mas é durante a noite que ele encontra a oportunidade de desacelerar.
Estudo revela que dormir tarde aumenta em 79% o risco de saúde cardiovascular ruim.
Um estudo publicado pela Associação Americana do Coração revelou que cronotipos – a preferência natural do corpo por horários de sono – podem ser um indicador silencioso de riscos cardíacos. Depois de analisar mais de 300 mil adultos com idade média de 57 anos, pesquisadores descobriram que indivíduos ‘noturnos’ apresentam maior risco de infarto.
O estudo tem como base o UK Biobank, uma das bases biométricas mais completas do mundo. A conclusão dos estudiosos ainda destaca que o impacto é mais significativo entre as mulheres.
Pesquisadores analisaram diferentes tipos cronotipos
Cronotipos são predisposições genéticas. Eles definem o ritmo biológico natural e determinam os melhores horários para dormir, acordar e realizar atividades variadas. Os cronotipos podem ser:
- Matutinos: pessoas que precisam ir para cama mais cedo. Geralmente dormem entre 22h e 6h;
- Vespertinos: esse cronotipo apresenta picos de energia no fim da tarde ou à noite. O sono costuma ser entre as 3h e 11h;
- Intermediários: sono entre meia-noite e 8h. É o cronotipo mais comum, presente em cerca de 50% da população.
No estudo, 8% das pessoas analisadas se autodefiniram como noturnos e relataram o costume de dormir às 2h da madrugada. Mais de 25% dos participantes foram classificados como matinais, indo para a cama por volta das 21h. O restante, cerca de 67%, se enquadrou no cronotipo intermediário.
Os pesquisadores analisaram a saúde vascular dos participantes com base na dieta, atividade física, tabagismo, qualidade do sono, peso, colesterol, níveis de açúcar no sangue e pressão arterial.
Maior chance de infarto e AVC em pessoas noturnas
A análise dos fatores concluiu que o cronotipo noturno está diretamente associado a uma pior saúde cardiovascular, com um risco 79% maior de o indivíduo apresentar pontuações negativas em testes vasculares – em comparação a perfis diurnos e intermediários.
Além disso, ao longo de 14 anos de acompanhamento, pessoas noturnas apresentaram 16% mais chances de sofrer um infarto ou um AVC.
A análise por gênero apontou que esse impacto é ainda mais severo na saúde vascular das mulheres.
Por que o hábito noturno é prejudicial?
De acordo com os estudiosos, a maior parte do risco em pessoas noturnas está relacionada a hábitos prejudiciais ao coração. Indivíduos com o cronotipo noturno apresentam mais chances de dormir mal, fumar mais e se alimentar inadequadamente. Tais práticas são danosas ao sistema cardiovascular.
“As ‘pessoas noturnas’ frequentemente experimentam desalinhamento circadiano, o que significa que seu relógio biológico interno pode não coincidir com o ciclo natural de luz do dia e da noite ou com seus horários diários típicos”, Sina Kianersi, um dos autores do estudo e pesquisador associado de distúrbios do sono e circadianos do Hospital Brigham and Women’s e da Harvard Medical School.
Segundo pesquisadores, o desalinhamento do sono com o ciclo natural da luz aumenta a probabilidade de praticar hábitos que afetam diretamente a saúde cardiovascular.

