Peixe brasileiro mira o México: nova estratégia para exportar tilápia em 2026

Peixe brasileiro mira o México: nova estratégia para exportar tilápia em 2026

Com 92% de suas exportações concentradas nos Estados Unidos, o setor agora volta os olhos para os vizinhos da América Latina.

A piscicultura brasileira está em um momento de reposicionamento estratégico. Com 92% de suas exportações concentradas nos Estados Unidos, o setor agora volta os olhos para os vizinhos da América Latina para garantir resiliência e expansão. O movimento surge como resposta a novas barreiras comerciais e à necessidade de diversificar destinos em um mercado global cada vez mais competitivo.

Para Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura), o Brasil entra agora nos “anos de ouro” da tilapicultura. “Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirmou. Mesmo com tarifas impostas recentemente no mercado externo, o setor demonstrou força, registrando um crescimento de 2% nas exportações no último ano.

Potencial do mercado latino-americano

O México desponta como o principal alvo dessa nova fase. O país consome anualmente cerca de 92 mil toneladas de tilápia — mais da metade do volume importado pelos EUA —, mas a presença brasileira por lá ainda é tímida. Segundo Manoel Pedroza Filho, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, a proximidade geográfica com países como México, Colômbia e Peru oferece uma vantagem logística crucial frente aos gigantes asiáticos.

O gargalo do congelado vs. fresco

Apesar do otimismo, o Brasil enfrenta um desafio industrial. Hoje, o país exporta majoritariamente filé fresco, um produto de alto valor agregado, mas de menor escala. O grande volume do comércio mundial, no entanto, está no filé congelado, segmento dominado por China e Vietnã devido ao baixo custo.

Jonathan Campos/AEN Paraná

“A vantagem dos asiáticos está na eficiência industrial, e não na produção primária. É essa diferença que o Brasil precisa reduzir”, explicou Medeiros.

A expectativa do setor é que novas regras e ajustes industriais permitam ao Brasil competir no mercado de congelados em curto prazo. Diferente da produção no campo, que leva anos para se transformar, a modernização das plantas industriais pode gerar resultados imediatos na competitividade internacional.

Desafios diplomáticos e espécies nativas

Além da reorganização interna, o setor lida com entraves que fogem do controle direto dos produtores, como o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro, vigente desde 2017. A reabertura depende de articulações diplomáticas e rigorosas adequações sanitárias.

Enquanto a tilápia lidera a frente internacional, espécies nativas como o tambaqui começam a ganhar tração, inicialmente no mercado interno, com projeções de exportação a longo prazo.

“A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resumiu Manoel Pedroza. A estratégia agora é unir a inteligência de mercado da Peixe BR à pesquisa da Embrapa para transformar o potencial produtivo em presença global consolidada.

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