Mesas que flutuam com a maré e levam 9 em cada 10 ostras ao ponto de venda chegam a Pernambuco

Mesas que flutuam com a maré e levam 9 em cada 10 ostras ao ponto de venda chegam a Pernambuco

Foto: Saulo Coelho (Embrapa)

Estrutura criada pela Embrapa mantém os animais sempre submersos e filtrando alimento, o que acelera o crescimento e reduz as perdas no criatório.

Produtores da comunidade do Porto do Espinheiro, em Itapissuma (PE), instalaram as primeiras mesas flutuantes para ostras no modelo Ostranne. A tecnologia foi adaptada pela Embrapa para estuários brasileiros e montada em mutirão no final do mês de maio.

A mudança vai direto ao bolso da marisqueira. Estudos da Embrapa mostram que 90,5% das ostras na mesa flutuante chegam ao tamanho de venda, contra apenas 14% na mesa fixa presa ao fundo do estuário. O salto de produtividade é o motivo central da troca.

Há ganho também na rotina de trabalho. Por subir e descer com a maré, a estrutura libera o manejo das ostras em qualquer horário do dia, sem prender o produtor ao relógio das marés. A montagem em Itapissuma saiu de uma parceria entre a Associação Itaostra e o Projeto Sacuritá, com orientação técnica da Embrapa de Aracaju.

Como as mesas flutuantes para ostras acompanham a maré

O segredo está na flutuação constante. Presa a boias, a mesa mantém as bandejas sempre na mesma profundidade, mesmo quando a maré sobe ou desce. As ostras nunca secam ao sol nem afundam em camadas com pouco oxigênio.

A mesa fixa cobra um preço por não acompanhar a água. Isso porque, na maré baixa, as ostras presas ao fundo raso ficam expostas ao sol e ao ar, o que provoca estresse térmico e morte de parte da criação. Conforme explica a Embrapa, a estrutura flutuante mantém os animais submersos e filtrando alimento por mais tempo, condição que sustenta o crescimento ao longo do ciclo.

Mais de seis vezes mais ostras no tamanho de venda

Mais tempo submersa significa mais comida. Como a ostra filtra o alimento da água, cada hora a mais embaixo da lâmina d’água se converte em crescimento mais rápido e maior taxa de sobrevivência. É esse ganho biológico que aparece na hora de vender.

O resultado prático impressiona. Nos estudos da Embrapa, 90,5% das ostras na mesa flutuante alcançaram o tamanho comercial, contra 14% na mesa fixa. São mais de seis vezes mais animais prontos para venda no mesmo ciclo de cultivo.

Além disso, o criatório ganha em segurança. Já que a mesa pode ser puxada para a margem, o produtor desloca toda a criação para proteger as ostras de salinidade alta, correntes fortes e calor excessivo. Dessa forma, reduz perdas em eventos que antes derrubavam a produção.

Estrutura de baixo custo que o próprio marisqueiro monta

A barreira de entrada quase desaparece. A Ostranne é uma solução de baixo custo, e o próprio marisqueiro constrói a estrutura com material acessível seguindo a publicação gratuita da Embrapa. Não há dependência de fornecedor industrial nem de equipamento importado para começar.

Ainda assim, a flutuação amplia o terreno de trabalho. Diferentemente da mesa fixa, presa ao fundo raso, a estrutura móvel viabiliza o cultivo em águas mais profundas, onde a maré não deixa a versão fixa operar. O caminho prudente é montar uma unidade-teste, acompanhar um ciclo completo e comparar crescimento e sobrevivência com a mesa fixa atual antes de converter o criatório inteiro.

Projeto Sacuritá fortalece marisqueiras até 2027

A mesa flutuante integra um esforço maior de valorização da pesca artesanal. Sacuritá significa “molusco” em tupi-guarani e batiza a iniciativa liderada pela Embrapa Tabuleiros Costeiros com recursos do Ministério da Pesca e Aquicultura.

De acordo com a Embrapa, o projeto busca gerar avanços técnicos e agregar valor à produção de moluscos até 2027 em Pernambuco, Sergipe e Alagoas. As frentes vão da segurança sanitária ao reaproveitamento das cascas em cosméticos, adubo e ração, transformando o que era descarte em nova fonte de renda para a comunidade.

Na prática, a agregação de valor já aparece na ponta. O vice-presidente da associação, Ivanildo da Silva, por exemplo, vende ostras gratinadas com parmesão e finalizadas no maçarico, produto que rende mais que o molusco in natura.

Quem está começando na atividade precisa dominar os fundamentos do cultivo de organismos aquáticos no litoral nordestino, ao passo que produtores já estabelecidos podem buscar apoio nas políticas públicas que definem crédito e regras para o setor pesqueiro.

Perguntas frequentes sobre mesa flutuante para ostras

Quanto tempo leva para montar a mesa Ostranne?

A montagem acontece em mutirão, durante os dias de campo, e cada comunidade aprende a replicar a estrutura sozinha depois. O número de bandejas por mesa varia conforme a escala que cada marisqueira pretende manejar, já que o desenho é modular. O produtor define o tamanho a partir do próprio volume de cultivo, sem precisar de equipamento importado nem de assistência técnica permanente para repor ou ampliar as unidades.

A mesa serve para qualquer espécie de ostra?

A tecnologia foi validada para a Crassostrea gasar, a principal ostra nativa cultivada no Norte e Nordeste. A mesa Ostranne foi projetada para o cultivo em águas estuarinas tropicais, de clima quente, exatamente as condições do litoral nordestino. Os primeiros testes ocorreram em Sergipe e no Maranhão, e o Projeto Sacuritá agora leva a estrutura às comunidades de Pernambuco e Alagoas, além de ampliar o uso no próprio Sergipe.

Posso adotar a mesa fora das comunidades do Projeto Sacuritá?

A publicação técnica está disponível para qualquer marisqueiro, mesmo fora das comunidades que o projeto atende neste ciclo. O passo a passo gratuito da Embrapa permite reproduzir a mesa em qualquer estuário de clima quente que reúna as condições da Crassostrea gasar. Produtores de outras regiões do litoral nordestino podem montar uma unidade-teste por conta própria e medir o desempenho antes de ampliar o criatório.

Vale a pena trocar a mesa fixa pela flutuante?

O critério de decisão é o desempenho comparado. Onde a maré dita o horário de trabalho e há perda alta de ostras fora do padrão, a mesa flutuante tende a compensar rápido, já que mais de seis vezes mais animais chegam ao tamanho de venda. O caminho prudente é montar uma unidade-teste, acompanhar um ciclo e medir crescimento e sobrevivência antes de converter todo o criatório.

FONTE: NOTICIASBOTO

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