Manejo adequado no inverno é decisivo para manter produção de peixes
Os peixes regulam seu metabolismo conforme a temperatura da águaFoto : Cleiton Oliveira dos Santos / Emater/RS-Ascar / Divulgação / CP
Mudanças climáticas podem provocar redução no consumo de ração, crescimento mais lento e aumento de doenças
Com a chegada do inverno e das baixas temperaturas, a piscicultura exige cuidados redobrados por parte dos produtores rurais. O manejo adequado durante os meses frios é fundamental para garantir a sobrevivência e a produtividade dos peixes, minimizando os impactos do clima sobre o metabolismo desses animais. De acordo com especialistas, medidas preventivas na alimentação, qualidade da água e saúde sanitária são essenciais para manter a estabilidade dos viveiros.
Cuidados com a alimentação e qualidade da água
Durante o inverno, a redução na alimentação dos peixes deve ser ajustada, oferecendo uma ração de maior densidade e aporte nutricional para reforçar a sua imunidade. Como os peixes regulam seu metabolismo conforme a temperatura da água, é fundamental manter o controle desse ambiente, como também o pH e o oxigênio disponível – fatores que impactam de forma direta o ambiente dos viveiros.
“O metabolismo dos peixes desacelera diante de temperaturas mais baixas, por isso a importância de observar o seu comportamento e se eles realmente estão conseguindo se alimentar daquilo que está sendo ofertado”, ressalta Laila Simon.
Questão sanitária e luz solar
Outro aspecto importante é a questão sanitária, uma vez que as baixas temperaturas e a consequente baixa de imunidade dos peixes oportunizam a incidência de infecções secundárias, causadas por fungos e bactérias presentes no sistema. Nesta época do ano ocorrem muitos dias com baixa luminosidade no Estado e, conforme Laila Simon, uma sequência de dois a quatro dias nublados pode ser determinante para a morte dos fitoplânctons, um conjunto de microalgas que dão cor esverdeada à água e são a base da cadeia alimentar nos viveiros. Eles convertem a luz solar em energia e são a fonte natural de alimento, além de produzir oxigênio, vital para os peixes e para a purificação da água.
Manejo adequado garante a produção o ano todo
O piscicultor Cleiton Oliveira dos Santos, de Glorinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mantém um viveiro de tilápias em tanques de 2.500 m², com profundidade de 1,5 m, que no inverno se transforma em 2 m, justamente para proteger os peixes do frio intenso. A propriedade possui ainda um frigorífico, que faz a filetagem dos peixes e prepara a produção, que é de cerca de uma tonelada por semana, para comercialização durante o ano todo.
Conforme Cleiton, a Emater/RS-Ascar faz um trabalho importante de orientação e assistência técnica aos produtores.
“A orientação da Emater me ajudou muito no desenvolvimento do projeto da planta do frigorífico, no projeto dos tanques e também tem um papel importante na nossa participação em feiras e na comercialização da produção junto ao mercado”, destaca.
Espécies nativas em destaque
No Rio Grande do Sul, a piscicultura conta com diversas espécies nativas adaptadas, como jundiá, traíra, lambari, grumatã, dourado e piava. Dentre essas, o jundiá se destaca por apresentar maior tolerância ao frio, sendo considerado uma opção estratégica para a produção.
Apesar de não serem nativas, as carpas também apresentam boa tolerância às baixas temperaturas. Já a tilápia, por ser uma espécie de clima tropical, originária do Norte da África e Oriente Médio, exige maior cuidado no frio. Por isso, com a incidência de temperaturas abaixo de 16°C, deve-se suspender a alimentação dessas espécies, pois o foco delas se concentra na sua sobrevivência e não na alimentação em si.
“Planejar a piscicultura durante todo o ano é fundamental para antecipar os efeitos das baixas temperaturas, com foco na sanidade dos peixes, na qualidade da água e na rentabilidade da produção. Sem esse planejamento, o inverno pode trazer perdas significativas aos produtores”, conclui Laila Simon.

