Linguiça de peixe e geleia de gengibre: a foodtech que nasceu em uma sala de aula no Amapá
Empresa quer levar ao varejo alimentos feitos com pescado amazônico e ingredientes regionais, como tucupi e cupuaçu.
A bioeconomia amazônica apareceu de várias formas no Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026: projetos de reflorestamento, startups de tecnologia verde e negócios ligados à biodiversidade. Em um dos corredores da feira, porém, ela vinha servida em forma de linguiça de peixe.
O produto é da Amapesc, foodtech criada por professoras e alunas do Instituto Federal do Amapá (IFAP). A empresa quer levar ao varejo alimentos feitos com pescado amazônico e ingredientes regionais, como tucupi e cupuaçu.
Origem no Laboratório
A startup surgiu a partir de pesquisas sobre derivados de pescado amazônico feitas dentro do curso de tecnologia em alimentos do IFAP. Hoje, o projeto reúne seis pessoas — todas ligadas à instituição, entre professores, alunos e ex-alunos.
A proposta é oferecer uma alternativa prática e saudável. “Pode fazer na air fryer, assada, igual à linguiça tradicional”, explicou a equipe. Além dos produtos à base de pescado, a startup também desenvolveu acompanhamentos inspirados em ingredientes amazônicos. Um dos destaques é um molho agridoce de tucupi com cupuaçu e uma geleia de gengibre. Outra linha leva abacaxi produzido no Amapá.
Próximos Passos e Impacto Social
Hoje, a operação funciona de forma artesanal, mas a empresa está montando uma estrutura própria de produção no Amapá para distribuir no varejo. “Nós estamos em fase de aquisição de equipamentos e organização da estrutura física”, afirmou Jiullie Monteiro, uma das integrantes.
De onde vêm os insumos:
“Temos uma forte relação com cooperativas de pescadores e agricultores familiares. Nosso consumidor vai receber um produto com preocupação social e também ambiental.” — Jiullie Monteiro
A expectativa inicial é vender para supermercados e lojas especializadas em pescados no Amapá, antes de expandir para outros estados.
“A gente está engatinhando ainda”, disse a professora Élida Viana. “Mas já existem empresas interessadas em comprar toneladas por semana.” Por enquanto, os produtos seguem circulando em feiras, apresentações e degustações.
Segundo dados do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), iniciativas apoiadas pelo programa já desenvolveram mais de 220 produtos e serviços ligados à floresta nos estados da Amazônia Legal, incluindo o Amapá.