Frio intenso ameaça tilápias e preocupa produtores em SC

Frio intenso ameaça tilápias e preocupa produtores em SC

Tilápias exigem manejo especial durante o inverno para evitar mortalidade causada pelas baixas temperaturas em SC.Foto: Kelvin Felipe/NDTV RECORD

Baixas temperaturas exigem mudanças na alimentação, oxigenação da água e manejo para evitar perdas na piscicultura catarinense

O inverno é um período crítico para a piscicultura, especialmente para o manejo da tilápia, espécie que apresenta melhor desempenho em temperaturas entre 25 °C e 30 °C.

Com a queda das temperaturas, produtores precisam redobrar os cuidados com alimentação, qualidade da água e oxigenação para evitar perdas e garantir a produtividade.

Alimentação precisa ser ajustada no frio

De acordo com o pesquisador Bruno Corrêa da Silva, responsável pela Unidade de Piscicultura da Epagri em Itajaí, a alimentação é um dos pontos centrais para o sucesso da produção durante o inverno.

“No inverno, o metabolismo dos animais fica mais lento, por isso é imprescindível realizar ajustes na dieta, diminuindo a quantidade de ração oferecida”, explica.

O pesquisador orienta ainda que a alimentação seja feita nos horários mais quentes do dia, estratégia que ajuda a otimizar os processos fisiológicos dos peixes.

A técnica de campo do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Tayná Sgnaulin, reforça que as tilápias conseguem se alimentar em baixas temperaturas, mas têm dificuldade para digerir os alimentos.

“O ideal é entrar no inverno com os peixes bem nutridos e com boa imunidade. Em dias em que a temperatura da água estiver abaixo de 16 °C, o mais indicado é não tratar os animais e manter o monitoramento da qualidade da água e dos níveis de amônia, oxigênio e alcalinidade”, afirma.

Oxigenação da água é fundamental

Outro fator considerado decisivo para reduzir o risco de mortalidade é a oxigenação da água. O uso de aeradores é recomendado para manter níveis adequados de oxigênio dissolvido e melhorar a circulação da água nos viveiros.

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Além disso, produtores utilizam oxímetros para monitorar com precisão os níveis de oxigênio e prevenir situações de estresse nos animais

Manejo correto das tilápias no inverno ajuda a reduzir perdas e manter a produtividade nas propriedades rurais.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais

Tilápia desenvolvida em SC ajuda a manter produtividade

Para manter a produtividade elevada mesmo em períodos de frio intenso, uma alternativa é utilizar a tilápia SC04, linhagem geneticamente melhorada desenvolvida pela Epagri e adaptada às condições climáticas catarinenses.

“Entregamos mais de 300 mil matrizes para produtores de diversos estados do país”, relata Bruno.

Santa Catarina amplia produção de tilápias

Santa Catarina é atualmente o quarto maior produtor de tilápias do país, atrás de Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Em 2024, a produção catarinense chegou a 44.439 toneladas, crescimento superior a 46% em relação a 2015, início da série histórica.

As regiões de maior destaque na produção são os litorais Norte e Sul, o Alto Vale do Itajaí, o Extremo-Oeste e o Oeste catarinense.

Frigorífico impulsiona cadeia da tilápia no Oeste de SC

O município de Caxambu do Sul desponta como um dos principais polos produtores de tilápia do Oeste catarinense. Atualmente, cerca de 30 piscicultores atuam de forma comercial na atividade.

A expansão da cadeia produtiva ganhou força com a criação do frigorífico Saborfish, projeto idealizado pela família Sgnaulin.

Os filés preparados artesanalmente por Janete Sgnaulin para complementar a renda da família serviram de ponto de partida para concretizar o sonho do marido, Volmir Sgnaulin, de criar uma estrutura coletiva para fortalecer a piscicultura local.

Com apoio dos filhos, Lucas Sgnaulin e Tayná Sgnaulin, o projeto saiu do papel em 2018.

Filés de tilápia sendo preparados para consumo no Oeste catarinense.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais

O frigorífico foi viabilizado com recursos do Programa SC Rural, do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e de investimentos feitos pelos próprios produtores do município.

O empreendimento começou com o selo de inspeção estadual e, depois de dois anos, conquistou o SIF (Serviço de Inspeção Federal), ampliando a comercialização.

Inicialmente, o empreendimento abatia cerca de 200 quilos de peixe por dia. Hoje, a estrutura conta com 10 funcionários fixos, 15 diaristas e capacidade de processamento de aproximadamente dez toneladas diárias. Cerca de 90% dos peixes abatidos são provenientes do próprio município.

“Eu costumo dizer que Caxambu do Sul é conhecida como a cidade da melancia, mas já pode ser a cidade da tilápia”, brinca Lucas.

Evento busca evitar perdas durante o inverno

Para fortalecer a cadeia produtiva e orientar os produtores sobre o manejo correto durante o período mais frio do ano, a Epagri realizou, em parceria com o Senar, o Dia de Campo em Piscicultura de Inverno no dia 28 de abril.

O evento contou com apoio da Prefeitura de Caxambu do Sul, das secretarias municipais de Agricultura de Caxambu do Sul e Chapecó, do Sindicato dos Produtores Rurais de Chapecó e da Cresol.

Segundo a extensionista da Epagri, Graciele Vieira, o objetivo é difundir tecnologias e informações que ajudem os produtores a reduzir perdas em um período considerado crítico para a atividade.

FONTE: NDMAIS

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