Erosão – Ameaçado pelo avanço do mar, Tuvalu anuncia próxima cúpula global de transição dos combustíveis fósseis
Vista aérea de Tuvalu, país da Oceania. — Foto: Reprodução/TripTalks
Pequeno Estado insular do Pacífico luta contra desigualdade na crise climática e pressiona por tratado global para eliminar combustíveis fósseis.
Em Santa Marta, na Colômbia, que esta semana sedia a 1ª Conferência sobre a Transição Para Longe dos Combustíveis Fósseis, o governo de Tuvalu anunciou que sediará, no início de 2027, a segunda conferência internacional dedicada à transição para longe dos fósseis. A determinação da nova sede integra um movimento que amplia a pressão política global por ações concretas durante e após o encontro. O evento será co-presidido pela Irlanda.
Tuvalu está entre os países mais ameaçados pelas mudanças climáticas e pode, nas próximas décadas, tornar-se inabitável devido ao aumento do nível do mar. A permanência do país no mapa depende diretamente da velocidade com que o mundo reduzirá o uso de combustíveis fósseis.
Com pouco mais de 11 mil habitantes, Tuvalu enfrenta a elevação do nível dos oceanos, impulsionada pelo aquecimento global, que intensifica a erosão costeira, contamina lençóis freáticos com água salgada e reduz áreas habitáveis.
Eventos extremos, como marés altas e tempestades, já provocam alagamentos frequentes. A continuidade desse processo pode levar à perda total do território físico ao longo do século. É desse contexto que vem o tom adotado pelo ministro de Assuntos Internos, Clima e Meio Ambiente do país, Maina Vakafua Talia, durante a conferência:
“Não estamos reunidos aqui hoje porque falta conhecimento. Estamos aqui porque falta ação. Porque falta vontade”, disse.
Pressão
No discurso, Maina Vakafua Talia criticou diretamente a distância entre compromissos internacionais e medidas efetivas, e utilizou uma analogia para ilustrar a desigualdade climática. “Os países poderosos e ricos têm capacidade financeira para garantir seus ingressos para embarcar na Arca. Países como Tuvalu, com capacidade muito limitada, ficam para nadar fora da Arca”.
A declaração é sobre transição energética, uma questão tecnológica, mas também de justiça climática e capacidade econômica.
Nova conferência no Pacífico
A proposta de levar a próxima conferência para o Pacífico busca dar protagonismo aos países mais vulneráveis. De acordo com o comunicado, Tuvalu e outros Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PSIDS) querem garantir continuidade política e acelerar resultados concretos.
“Uma responsabilidade de liderança que Tuvalu está comprometida em levar adiante até 2027. A transição de Santa Marta para Tuvalu deve priorizar a continuidade e canalizar o impulso em progresso concreto”, afirmou o comunicado. A iniciativa conta com apoio de governos do Sul Global, sociedade civil e representantes indígenas, além de organizações internacionais.
Tratado global
A prioridade é a criação de um novo instrumento internacional vinculante para regular a produção e o consumo de combustíveis fósseis, algo que ainda não existe no regime climático atual.

Visão geral do painel científico para Transição Energética em Santa Marta, na Colômbia — Foto: Divulgação/Transition Away Conference
O governo de Tuvalu defende que o modelo atual, centrado nas negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), não tem sido capaz de enfrentar a origem do problema: a produção de carvão, petróleo e gás. A ideia é estabelecer mecanismos com regras claras e responsabilização.
Metano
Além da agenda estrutural, o país também defendeu medidas de curto prazo, como o combate às emissões de metano, que é um gás de efeito estufa com alto potencial para o aquecimento global.
Ainda segundo Maina Vakafua Talia, tratar a eliminação do metano como prioridade pode gerar benefícios rápidos para o clima e para a saúde pública, funcionando como uma das alavancas mais imediatas da transição.

