Energias renováveis atraem R$ 36,3 bilhões em financiamento em 2025 e eólica ganha protagonismo
Levantamento da CELA mostra que o volume financiado cresceu 10,6% em relação a 2024, mas ainda permanece 22% abaixo do pico histórico registrado em 2022
Após um biênio de retração, o mercado de energia limpa no Brasil ensaia uma recuperação expressiva, impulsionado por novas estratégias de armazenamento e o fôlego renovado dos ventos.
O mercado brasileiro de transição energética fechou o ano de 2025 com motivos para celebrar, embora mantenha os pés firmes no chão. Um levantamento recente realizado pela consultoria CELA revelou que os financiamentos voltados para projetos de energia renovável no país atingiram a marca de R$ 36,3 bilhões. O montante representa um crescimento de 10,6% em comparação ao ano anterior, quebrando um ciclo incômodo de dois anos consecutivos de quedas.
Mesmo com a curva apontando para cima, o setor ainda opera com cautela: o volume financiado permanece 22% abaixo do teto histórico registrado em 2022, o ano de ouro do setor antes das mudanças regulatórias e do aumento global nas taxas de juros.
Eólica assume a liderança e armazenamento vira o “plano A”
Se em anos anteriores a energia solar fotovoltaica concentrou boa parte dos holofotes e dos aportes, 2025 marcou a consolidação de uma abordagem mais diversificada e estratégica. A energia eólica ganhou forte protagonismo, absorvendo fatias massivas do crédito verde disponível.
A grande virada de chave do setor, no entanto, vai além da fonte de geração. O avanço mais expressivo está na infraestrutura complementar: sistemas de armazenamento de energia (baterias).
De acordo com analistas do setor, a inclusão de tecnologias de armazenamento tornou-se o principal mecanismo para solucionar o grande calcanhar de Aquiles das renováveis: a intermitência (o fato de o sol não brilhar e o vento não soprar o tempo todo).
“A energia eólica e os sistemas de armazenamento vêm ganhando um papel altamente estratégico. Eles são fundamentais para equilibrar a expansão das fontes limpas e garantir a estabilidade e a segurança que a rede elétrica brasileira exige”, aponta o relatório da consultoria.
O que move o novo ciclo de crédito?
A retomada dos aportes foi sustentada por três pilares centrais ao longo de 2025:
- Abertura do Mercado Livre: A migração contínua de consumidores empresariais (indústrias e grandes comércios) para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) manteve a demanda por contratos de longo prazo em alta.
- Apetite de Bancos de Fomento: Instituições tradicionais como o BNDES e bancos regionais adaptaram suas linhas de crédito (“crédito verde”) para incluir não apenas a geração de energia, mas projetos integrados com redes inteligentes e baterias.
- Foco Corporativo em Metas ESG: A urgência global por descarbonização real — e rastreável — forçou companhias de grande porte a financiarem e garantirem a compra da produção de novos parques energéticos.
A expectativa para os próximos anos é que o volume de capital continue em expansão moderada. Com o governo desenhando novas diretrizes e leilões voltados especificamente para a capacidade de transmissão e armazenamento, o Brasil se posiciona para tentar, gradativamente, encostar novamente nos recordes de investimento vistos no início da década.
Para entender ainda mais o contexto econômico de longo prazo e o impacto das fontes limpas na nossa economia, vale a pena assistir a esta análise sobre como a Energia renovável no Brasil pode incrementar R$ 465 bilhões ao PIB, que detalha as projeções de crescimento e os desafios da intermitência da matriz até 2035.

