Elas desaparecem no oceano por mais de duas horas e chegam a quase 3.000 metros de profundidade: o mistério das baleias-de-bico
Mamíferos marinhos profundos com adaptações fisiológicas impressionantes para o mergulho extremo.
Com dentes incomuns, corpos peculiares e mergulhos de até 2.992 metros, as baleias-de-bico estão entre os cetáceos mais misteriosos dos oceanos.
O que são as baleias-de-bico?
Apesar da aparência incomum, as baleias-de-bico são mamíferos marinhos pertencentes à família Ziphiidae. Elas têm corpo alongado e um bico que pode lembrar o focinho de um golfinho.
A família reúne 24 espécies reconhecidas, distribuídas em seis gêneros. Muitas vivem longe da costa, em águas profundas, o que ajuda a explicar por que continuam entre os grandes animais marinhos menos conhecidos.
Por que elas mergulham tão fundo?
Essa vida nas profundezas está ligada à alimentação. As baleias-de-bico procuram principalmente lulas e peixes de águas profundas, onde a luz diminui rapidamente e a pressão aumenta de forma intensa.
Para capturar essas presas, elas usam a alimentação por sucção. Em vez de arrancar o alimento com mordidas, criam uma pressão negativa dentro da boca e puxam a presa para dentro, uma adaptação eficiente para caçar no escuro.

Como as baleias-de-bico conseguem sobreviver no fundo do oceano?
O mergulho extremo ficou especialmente evidente na baleia-de-bico-de-Cuvier, que alcançou 2.992 metros em um mergulho registrado em 2014. O mesmo registro durou cerca de 137,5 minutos, mostrando a dimensão desse comportamento.
O corpo desses animais também apresenta adaptações para mergulhos prolongados. Durante a descida, elas reduzem atividades que consomem oxigênio e suportam mudanças intensas de pressão. Esses mecanismos ajudam a explicar sua capacidade de permanecer longe da superfície.
O que torna a aparência dessas baleias tão incomum?
Se o mergulho já chama atenção, a aparência completa o conjunto. Em várias espécies, os machos possuem pares de dentes proeminentes na mandíbula inferior, que podem ultrapassar a região do bico.
As diferenças entre espécies também aparecem no formato da cabeça, nas marcas do corpo e no tamanho. Algumas apresentam uma testa arredondada chamada melão, enquanto outras têm focinhos muito alongados. Os detalhes ajudam na identificação, mas nem sempre são fáceis de observar no mar.

Dentes proeminentes, formato da cabeça e marcas no corpo diferenciam as espécies.
Por que ainda sabemos tão pouco sobre elas?
Mesmo com registros impressionantes, grande parte da rotina dessas baleias permanece desconhecida. Elas passam longos períodos submersas, ficam pouco tempo na superfície e costumam viver longe das áreas costeiras, dificultando observações diretas.
O conhecimento avançou com equipamentos capazes de acompanhar seus mergulhos e sons. Ainda assim, questões sobre comportamento social, reprodução e movimentos permanecem abertas. A pesquisa científica sobre a baleia-de-bico-de-Cuvier continua usando monitoramento acústico, observações em campo e instrumentos de registro.

