CONHEÇA O DELTA DO RIO PARAÍBA DO SUL – ATAFONA
Localização: 21°37’30.96″ S; 41°0’50.75″ O
Descrição: O Complexo Deltaico do Rio Paraíba do Sul é um dos exemplos clássicos de delta no Brasil. Também é muito estudado porque está localizado na área emersa da Bacia de Campos, uma de nossas mais importantes bacias sedimentares produtora de óleo e gás. Ele é caracterizado pela presença, a norte e a sul, de cordões arenosos que representam as antigas linhas de praia que foram evoluindo ao longo dos últimos 120 mil anos desde a área da Lagoa Feia até a atual foz. Podem ser bem visualizados nas fotografias aéreas ou imagens de satélite da região. Esses cordões se formam pela redistribuição de sedimentos ao longo do litoral pelas correntes marinhas, pela ação do vento sobre os sedimentos nas praias ou, ainda, pela ação das ondas e sua interação com a força da água e os sedimentos trazidos pelo rio Paraíba do Sul. Delta é um depósito de sedimentos caracterizado por uma feição geológica que ocorre quando um rio encontra outro corpo d’água, provocando, pela diferença de energia entre eles, a deposição de sedimentos por ele transportados. Sua forma triangular gerou o nome delta, derivado da letra grega. No caso do rio Paraíba do Sul, sua foz se dá no seu encontro com o Oceano Atlântico em Atafona, São João da Barra. A partir da década de 50, Atafona vem sofrendo um processo de erosão costeira.
Nesse processo, as praias estão sendo erodidas, de forma que o mar tem avançado sobre o litoral. Desde então, o mar já derrubou cerca de 200 construções, como escolas, igrejas, postos de gasolina, comércio, faróis e moradias, compreendendo uma área de aproximadamente 15 quarteirões. O processo de erosão no local consiste na remoção dos sedimentos pelas ondas e transporte pelas correntes marinhas e vento. Os processos erosivos têm o papel de modelar relevos da superfície terrestre, mas em Atafona, além disso, tem-se a destruição de parte do patrimônio da população. A velocidade do processo de erosão é variável ao longo do ano e o mar avança anualmente cerca de 3 metros sobre Atafona. O sedimento é transportado para sul pelas correntes marinhas e ventos que sopram da direção nordeste, levando-o para a Praia de Grussaí, também em São João da Barra. Ou seja, à medida que Atafona perde seus sedimentos, Grussaí os recebe, tornando sua faixa de areia cada vez mais larga. Trata-se de um balanço entre os sedimentos que chegam ao delta e aqueles que o mar e o vento conseguem retirar e transportar. Processos Naturais: a) Estiagem: um rio com pouca água tem menor capacidade de transporte de sedimentos. Ou seja, quando há uma diminuição na quantidade de sedimentos transportados para o delta, o processo de erosão é mais eficaz que o processo de construção. Outro aspecto importante é que durante uma seca, o mar cria uma barreira hidráulica natural, levando à deposição dos poucos sedimentos que chegam ao delta (como ocorreu recentemente), fechando parcialmente a saída de água para o mar; b) Intensificação dos ventos de quadrante Nordeste: gera uma dispersão nos sedimentos que deveriam se acumular no delta, mas que são transportados para Sul; c) Correntes marinhas: as ondas remobilizam os sedimentos trazidos pelo rio, que são redistribuídos pela corrente litorânea dirigida para o Sul.
Processos Antrópicos: a) Retirada de água do rio para abastecimento das cidades: a redução do volume de água do rio também diminui a ação da barreira hidráulica que ele produz, desprotegendo o delta e levando à erosão dos sedimentos trazidos pelo rio; b) Construção de barragens para regularização do fluxo do rio: barragens evitam enchentes e inundações, mas dificultam a chegada dos sedimentos até a foz, fazendo com que a erosão seja mais eficaz do que a sedimentação do delta; c) Retirada de areia do canal do rio para a construção civil: também diminui a quantidade de sedimentos que poderiam chegar à foz. Assim, esta batalha entre o rio e o mar segue seu curso. A dinâmica costeira é implacável. Se você visitar Atafona a cada 6 meses verá uma paisagem diferente. Acredite! Há um painel do Projeto Caminhos Geológicos sobre Atafona no local. Assista também ao vídeo do campo virtual no Delta do Rio Paraíba do Sul, promovido pelo Laboratório de Geografia Física da UFF (LAGEF).