Saiba mais sobre Anzóis
Desde a mais remota época em que produziam-se anzóis de ossos, chifres, pedras, etc, nota-se uma constante mudança, por parte dos fabricantes, que tentam aprimorar seu formato, de forma a aumentar o poder de fisgada para cada tipo de peixe. Isso acabou proporcionando ao pescador, uma grande variedade de formatos e tamanhos específicos que, se corretamente utilizados, poderão aumentar a produtividade da pescaria.
Existem alguns aspectos em relação aos anzóis que podem ser analisados e considerados, por ser um fator, às vezes, decisivo nas pescarias. O anzol muitas vezes é tido como um acessório com o qual o pescador não precisa se preocupar, mas na verdade, este pequeno artefato de metal é fator decisivo e se não for bem avaliado, pode prejudicar a pescaria.
Para ser considerado ótimo, um anzol deve ter algumas características, tais como ponta aguçada, ser muito penetrante (que fisga fácil), capacidade de reter o peixe fisgado, resistência e durabilidade.
Como se trata de qualidades difíceis de conciliar, na prática prioriza-se uma ou outra conforme se esteja praticando pesca leve ou pesada. Na pesca de peixes de grande porte, dá-se ênfase à resistência, enquanto na pesca de peixes pequenos o mais importante é que o anzol seja “matador”, isto é, que fisgue facilmente o peixe.
Tamanhos e Medidas
Para saber o tamanho adequado, é importante considerar a espécie, a posição da boca e os hábitos alimentares.
- Numeração: O tamanho é inversamente proporcional até o número 1 (o anzol 16 é menor que o 1).
- Escala /0: A partir do tamanho 1, a numeração acrescida de /0 torna-se proporcional (o anzol 1/0 é menor que o 12/0).
Outros Fatores Importantes
- Espessura: Relacionada à resistência. Anzóis finos penetram melhor e são ideais para bocas frágeis (como Carpas).
- Fisga: Deve estar sempre afiada para maior eficiência e permitir o uso de linhas mais finas.
- Cor: Pode atuar como atrativo, mas nem sempre está ligada à qualidade.
- Conservação: Anzóis enferrujados podem quebrar na fisgada e oferecem risco de infecções (como tétano) ao pescador.
Tipos de Anzóis e suas Aplicações
- Anzóis Japoneses (Gamakatsu, Maruseigo, etc): Excelentes para fisgar, usados em competições. (Peixes: pampo, robalo, piapara, lambari, etc).
- Anzóis para Glubs e Minhoca Artificial: Desenhados para iscas de silicone. (Peixes: black bass, traíra, tucunaré).
- Anzóis para Pesca Pesada: Forjados e ultra-resistentes. (Peixes: marlins, atuns, jaús, piraíbas).
- Anzol Beak: Resistente e fisga firmemente. (Peixes: dourado, pacu, piranha, peixes de couro).
- Anzol Bowed: Resistente com fisgada profunda. (Peixes: carpa, pirará, miraguaia).
- Anzol Carlisle: Haste longa, evita que peixes com dentes cortem a linha. (Peixes: bagre, piranha, traíra).
- Anzol Crystal: Para peixes de boca pequena. (Peixes: lambari, piau, tilápia).
- Garatéia: União de três anzóis, usada em iscas artificiais ou moles. (Peixes: espada, barracuda).
- Anzol Kirby: Utilizado com iscas vivas. (Peixes: tucunaré, tilápia, traíra).
- Anzol O’ Shaughnessy: Versátil e resistente. (Peixes: anchova, robalo, corvina).
- Anzol Wide Gap: Mantém iscas vivas com mais movimento. (Peixes: pescada e robalo).
História e Evolução (O Anzol na Literatura e Pré-História)
- Literatura: O primeiro livro que tratou de pesca foi impresso em 1496 (“The Book of St. Albans”), detalhando como fabricar anzóis a partir de agulhas.
- Madeira: Crê-se que os primeiros anzóis foram de madeira (queimada na ponta para endurecer), usados até o século XIX na Noruega para bacalhau.
- Materiais diversos: Conchas, ossos, chifres, garras de falcão e bicos de águia foram utilizados por povos antigos. Na Ilha de Páscoa, chegaram a usar ossos humanos devido à escassez de outros materiais.
- Bronze e Ferro: O cobre surgiu por volta de 4000 AC. Anzóis de bronze foram encontrados na Mesopotâmia, Creta e Pompéia. Os de ferro eram maiores e usados para pesca em mar aberto.