A 2.300 metros abaixo do nível do mar e com 316 metros de comprimento

A 2.300 metros abaixo do nível do mar e com 316 metros de comprimento

A 2.300 metros abaixo do nível do mar e com 316 metros de comprimento, plataforma no pré-sal separa gás e água, armazena 234 milhões de litros de petróleo e opera como uma cidade marítima, abrigando mais de 150 pessoas em turnos de 14 dias.

Plataforma de petróleo do tipo FPSO reúne produção, armazenamento e transporte no mar, com energia própria e rotina de 150 trabalhadores.

Uma plataforma de petróleo do tipo FPSO concentra produção, armazenamento e transferência de óleo e gás em alto mar, a cerca de 2.300 metros abaixo do nível do mar. O sistema liga 4 poços produtores à unidade flutuante e mantém toda a operação funcionando sem contato direto com o continente.

A apuração foi publicada por Manual do Mundo, canal brasileiro de ciência e tecnologia. A visita mostrou como a estrutura trabalha no pré sal, como o petróleo é tratado antes de seguir viagem e por que a plataforma funciona quase como uma cidade no mar.

O impacto dessa operação aparece em várias frentes. A unidade produz petróleo, separa gás e água, guarda até 234 milhões de litros de óleo e ainda abriga mais de 150 pessoas em turnos de 14 dias.

Como chegar a uma plataforma de petróleo em mar aberto

Chegar a uma plataforma de petróleo exige uma logística longa e controlada. A viagem começa em Congonhas, em São Paulo, segue até o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e depois vai para Jacarepaguá, de onde parte o helicóptero.

Antes do embarque, há uma etapa de 48 horas de quarentena em hotel. O procedimento evita que pessoas embarquem com coronavírus e faz parte dos cuidados antes de entrar na unidade.

O voo até a plataforma leva mais ou menos uma hora. O helicóptero percorre 297 km sobre o mar, a 800 metros de altura, até chegar ao destino em mar aberto.

A unidade visitada foi a P 70, inaugurada em 2020. Ela fica a 200 km da costa e tem 316 metros de comprimento, medida 46 metros maior que o Titanic II.

O que é uma FPSO e como os poços se ligam à produção

A sigla FPSO vem do inglês e significa unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo e gás. Na prática, é uma plataforma que flutua como um navio e produz petróleo sem precisar de uma torre apoiada no fundo do mar.

Essa característica existe porque o leito do oceano está a cerca de 2 km abaixo da plataforma. A estrutura fica presa por âncoras fixadas no fundo e por cabos que mantêm a unidade estável.

A operação da plataforma de petróleo usa 7 poços ligados à P 70. São 4 poços produtores e 3 poços injetores. Os produtores retiram óleo. Os injetores devolvem água e gás ao reservatório para manter a produção.

Os tubos usados nessa ligação fazem dois caminhos. No trecho horizontal sobre o leito do mar, eles são chamados de flow. Na subida até a plataforma, recebem o nome de risers.

Cada poço tem 3 vias. Uma leva a produção, outra atende serviços como injeção de gás e a terceira é a linha umbilical, usada no controle, na leitura de sensores e na injeção de produtos químicos.

Como o petróleo, o gás e a água são separados dentro da plataforma de petróleo

O primeiro tratamento acontece em um vaso de separação. Nessa etapa, a produção é dividida em gás, água e óleo. O processo é essencial para que cada parte siga o caminho certo dentro da unidade.

O gás passa por 3 etapas. A primeira é a compressão, que aumenta muito a pressão. A segunda é a desidratação, feita por uma peneira molecular que segura a água e deixa o gás seguir. A terceira remove o gás carbônico, que pode ser reinjetado no poço.

A água também recebe tratamento antes de voltar ao mar. O procedimento já faz parte da estrutura da plataforma, embora nem toda a operação estivesse ativa naquele momento, porque o óleo ainda chegava com muito pó.

O óleo não sai pronto do reservatório. Ele ainda carrega um pouco de água e passa por separação eletrostática. A eletricidade ajuda a juntar pequenas gotas de água em gotas maiores, o que facilita a retirada por gravidade.

Armazenamento e transporte mostram a escala real de uma FPSO

A base do navio tem formação por tanques de petróleo. A estrutura tem 31 metros de tanque abaixo da área principal e capacidade total de 234 mil metros cúbicos de óleo, o equivalente a 234 milhões de litros.

Esse volume impressiona também na comparação com o transporte terrestre. A conta chega a 4680 caminhões de 50.000 litros cada.

As informações sobre a operação tiveram divulgação por Petrobras, empresa estatal de petróleo e gás. A estrutura de armazenamento exige cuidado extra porque o petróleo é inflamável e não pode ficar em contato com oxigênio dentro dos tanques.

A solução é a injeção de gás inerte. Esse gás impede reação com o combustível e reduz o risco de incêndio. A plataforma também conta com o flare, uma chama que queima gases excedentes e funciona como equipamento de segurança.

Quando o petróleo precisa sair da unidade, entra em cena um navio aliviador. O transporte usa um mangote com 50 cm de diâmetro por dentro e 150 m de comprimento. Ele bombeia 6.600 metros cúbicos por hora, mas mesmo assim o carregamento de um navio grande leva 24 horas.

O petroleiro não encosta na plataforma. Ele fica a cerca de 90 metros de distância e recebe a mangueira após o lançamento de cabos entre as embarcações.

Como é a vida de quem trabalha em uma plataforma de petróleo

A plataforma funciona sem parar e abriga mais de 150 pessoas. A rotina acontece em turnos de 24 horas de operação e permanência de 14 dias embarcado.

A parte interna lembra um prédio, mas com reforços de segurança em todos os lados. As portas são corta fogo e algumas suportam 30 minutos de fogo, enquanto outras resistem por 60 minutos.

O interior é pressurizado. Isso impede a entrada de fumaça em caso de incêndio e ajuda na saída das pessoas por áreas protegidas, como as escadas.

O refeitório tem 40 lugares e funciona em revezamento. São 5 refeições por dia, com café da manhã às 5 horas da manhã, almoço às 11 horas, jantar às 6 horas da tarde, lanche às 9 horas da noite e uma ceia de madrugada.

Os quartos, chamados de camarotes, têm 4 camas, cortina para dar privacidade, armários individuais e banheiro dividido em duas partes. Há também auditório, sala de música, academia e lavanderia.

Energia, água e segurança mantêm a plataforma funcionando no meio do mar

Toda a energia da unidade tem geração ali mesmo. A plataforma tem 4 termelétricas de 25 megawatts cada uma, movidas a gás natural ou óleo diesel.

Uma das turbinas é aeroderivada, parecida com turbina de motor de avião a jato. O calor gerado ainda é aproveitado para aquecer a água usada em outras partes da planta.

Se houver falha total, entra em ação um gerador de emergência. Ele tem motor a diesel com 16 cilindros em V e potência de 1.8 megawatts.

A segurança também depende de rotas de fuga prontas para uso imediato. A plataforma possui 2 baleeiras de cada lado, e cada lado consegue evacuar toda a tripulação. As embarcações são fechadas, suportam passagem por área com fogo e contam com sistema de oxigênio.

A água potável usada para banho e limpeza vem do mar. O sal é retirado com uso de vácuo, depois a água passa por remineralização, tratamento com luz ultravioleta e armazenamento em tanque pressurizado. Já a água mineral para beber chega por barco.

Na parte mais baixa da plataforma, a cerca de dez metros abaixo do nível do mar, ficam bombas que captam água salgada para uso industrial. A água usada também recebe tratamento antes do descarte, e a parte sólida segue de volta ao continente.

A plataforma de petróleo do tipo FPSO reúne tecnologia, logística e segurança em uma estrutura que trabalha longe da costa e em grandes profundidades. O sistema permite produzir, tratar, armazenar e transferir petróleo sem interromper a operação.

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