Maior alargamento de praia do Brasil avança para reta final em SC

Maior alargamento de praia do Brasil avança para reta final em SC

Maior alargamento de praia do Brasil avança para última etapa em SCFoto: Porto de São Francisco/Divulgação/ND Mais

Megaobra em Itapoá, no Litoral Norte de SC, avança para etapa decisiva e promete transformar completamente o visual da orla; veja fotos.

A recomposição da orla de Itapoá, no Litoral Norte de SC, entra na reta final com o início da última etapa daquele que é considerado o maior alargamento de praia do Brasil e mais inovador em reaproveitamento de sedimentos. A Praia Figueira do Pontal será o último trecho a receber a intervenção.

O início do depósito de areia neste último ponto está previsto para a próxima sexta-feira (26), quando os cerca de 800 metros finais da orla passarão por transformação. A intervenção, que usa resíduos de dragagem portuária para alargar a faixa de areia, já está 93% concluída.

Obras já avançaram por quase toda a extensão prevista

Até o momento, o projeto do Porto de São Francisco já alcançou 93% de execução. Dos 8,8 quilômetros previstos, 7,3 quilômetros já foram contemplados com o alargamento da faixa de areia.

Nesta fase final, a estimativa é de que aproximadamente 465 mil metros cúbicos de areia sejam depositados no trecho sul da praia, próximo à área portuária.

A intervenção começou em outubro do ano passado e deve ser concluída dentro do prazo contratual, previsto para setembro de 2026.

De Pontal do Norte à última etapa: como a obra avançou

O processo de recomposição costeira teve início pela Praia Pontal do Norte, onde foi concentrado o maior volume de sedimentos.

Na sequência, as intervenções chegaram à Praia Princesa do Mar, onde os trabalhos foram finalizados no último sábado (20).

Agora, a operação avança para o trecho da Praia Figueira do Pontal, encerrando o ciclo de engordamento da orla.

Areia retirada do mar vira base para nova faixa de praia

O material utilizado na ampliação das praias é resultado da dragagem do canal externo da Baía da Babitonga. Parte dos sedimentos retirados do fundo do mar é reaproveitada para a recomposição da costa.

O mesmo processo também tem impacto direto na navegação, já que o aprofundamento do canal permite a entrada de embarcações maiores nos portos da região.

A dragagem já atingiu cerca de 62% de execução e prevê a remoção total de 12 milhões de metros cúbicos de sedimentos — metade destinada ao engordamento das praias.

Canal mais profundo e navios muito maiores

Com a conclusão do aprofundamento, o complexo portuário da Baía da Babitonga passará a receber embarcações de até 366 metros de comprimento.

Hoje, o limite é de 336 metros, com capacidade para cerca de 10 mil TEUs. Após a obra, esse número deve chegar a 16 mil TEUs, ampliando significativamente a movimentação de cargas.

Parceria inédita viabiliza investimento bilionário

A obra, orçada em R$ 333 milhões, foi viabilizada por meio de uma parceria entre o porto público de São Francisco do Sul e o terminal privado de Itapoá. O modelo é considerado inédito no país para esse tipo de obra de infraestrutura portuária.

Do total, R$ 33 milhões são aportados pelo porto público, enquanto R$ 300 milhões vêm do setor privado, com previsão de ressarcimento até 2037, a partir do aumento da movimentação e das tarifas portuárias geradas pela ampliação da capacidade operacional.

Reaproveitamento de sedimentos e experiência rara no mundo

O projeto também se destaca pelo uso dos sedimentos da dragagem para alimentação de praias, prática rara no mundo.

No cenário internacional, há registros semelhantes apenas na Austrália. No Brasil, esta é a primeira vez que um volume dessa escala é destinado ao alargamento de orla, configurando uma das maiores obras do tipo já realizadas no país.

Além do alargamento da faixa de areia, a área já recebeu mais de 93 mil mudas de vegetação de restingaFoto: Divulgação/Porto de São Francisco/ND Mais

Dunas reforçadas e recuperação ambiental

Além do alargamento da faixa de areia, a área já recebeu mais de 93 mil mudas de vegetação de restinga, utilizadas na fixação das dunas.

Ao todo, estão previstas 280 mil mudas de seis espécies diferentes, cultivadas em viveiros próximos à região.

As novas dunas variam entre 1 e 1,5 metro de altura e chegam a cerca de 26 metros de largura, formando um sistema contínuo de proteção natural contra a erosão.

Impacto direto na operação portuária

Com a conclusão da obra, o Porto de São Francisco do Sul projeta uma economia anual de cerca de R$ 20 milhões, eliminando a necessidade de fundeio intermediário para embarcações.

O ganho logístico se soma ao aumento de capacidade do sistema portuário, que passa a operar com navios maiores e maior volume de carga, consolidando a região como um dos principais corredores marítimos do país.

FONTE: NDMAIS

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