Portos e novos investimentos podem mudar o papel do ES no comércio exterior

Portos e novos investimentos podem mudar o papel do ES no comércio exterior

Complexo portuário de Vitória: ES tem condição de se tornar hub logístico do Brasil. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

O Espírito Santo atravessa um período de mudanças importantes em sua estrutura econômica e logística. A expansão da infraestrutura portuária, a chegada de novos investimentos e a ampliação das conexões com diferentes mercados colocam o comércio exterior no centro de uma discussão que vai além da movimentação de cargas. É também uma discussão sobre a capacidade do Estado de atrair negócios e ampliar sua participação nas cadeias nacionais e internacionais.

Essa transformação já pode ser observada na evolução do sistema portuário capixaba. A Vports, como autoridade portuária que administra os portos de Vitória e Vila Velha, vem passando por uma nova fase de investimentos e gestão. O TVV mantém participação relevante nas operações de contêineres e veículos. Em Aracruz, a Portocel, que iniciou como Terminal de Uso Privado (TUP) e hoje opera cargas de terceiros, consolidou a cidade como polo logístico especializado. E nesse sentido, ampliando sua atuação e diversificando produtos, com eficiência reconhecida nacionalmente, enquanto novos projetos acrescentam perspectivas à infraestrutura do Estado.

Entre eles estão o Imetame Logística Porto, em Aracruz, com novas oportunidades logísticas. Bem como o Porto Central, em Presidente Kennedy, no Sul capixaba, empreendimento de águas profundas em desenvolvimento com potencial para inserir o Espírito Santo nas principais rotas internacionais de longo curso.

Esse conjunto de estruturas, em diferentes estágios de operação e implantação, amplia as possibilidades para o Espírito Santo receber, movimentar e distribuir cargas. Também cria uma base para que o estado participe de forma mais ampla das rotas que conectam o Brasil a outros mercados. Para quem atua no comércio exterior, a existência de alternativas logísticas e o aumento da capacidade operacional são fatores diretamente relacionados a custo, prazo e previsibilidade.

Comércio exterior diversificado

O Espírito Santo reúne características que podem ser aproveitadas nessa direção. Estamos próximos dos principais centros consumidores e industriais do país, temos uma atividade de comércio exterior diversificada e uma estrutura portuária que vem recebendo novos investimentos.

O desafio está em conectar esses ativos de forma cada vez mais eficiente, ampliando a capacidade de atender empresas capixabas e também aquelas que utilizam o estado como porta de entrada e saída para outras regiões brasileiras.

Essa transformação ocorre em um momento importante para o comércio exterior brasileiro. A reforma tributária vai alterar a dinâmica de custos e decisões das empresas nos próximos anos, enquanto a disputa por investimentos e por rotas logísticas exige condições cada vez mais competitivas. Nesse ambiente, infraestrutura deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a fazer parte da estratégia de negócios das empresas.

Como presidente do Sindiex, acompanho diariamente o impacto que logística, legislação, custos e infraestrutura têm sobre as decisões de quem importa e exporta. Como conselheiro do LIDE ES e head da vertical de Comércio Exterior, também vejo a importância de aproximar essa discussão de empresários, investidores e lideranças de diferentes setores.

Desenvolvimento econômico não acontece de maneira isolada. Ele depende de conexões entre infraestrutura, capital, empresas e conhecimento.

Fórum de Desenvolvimento Econômico

É essa discussão que o Lide ES levará ao seu Fórum de Desenvolvimento Econômico, nesta terça-feira (29), em Vitória, com o tema “Uma visão de futuro para o Espírito Santo”. O encontro, principal evento da agenda anual do Lide ES, reunirá empresários, especialistas e lideranças para discutir caminhos para o desenvolvimento do Estado.

Entre os debates, a infraestrutura portuária será tratada a partir de uma perspectiva que considero essencial: a capacidade de o Espírito Santo funcionar como um hub logístico para o Brasil. Também será importante olhar para fora das nossas fronteiras. A inserção internacional depende de relações comerciais e capacidade de apresentar ao mercado aquilo que o estado tem a oferecer. É nessa aproximação entre diferentes setores e mercados que fóruns empresariais como o promovido pelo Lide ES podem contribuir para colocar essas pautas em contato com quem efetivamente decide e investe.

Sidemar Acosta, conselheiro e head do LIDE ES. E presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação Espírito Santo. Crédito: Cacá Lima/Divulgação

Tenho defendido que o comércio exterior precisa ser tratado como parte da estratégia de desenvolvimento do Espírito Santo. Temos uma base construída e novos projetos em andamento. O próximo passo é ampliar as conexões e transformar essa infraestrutura em negócios, investimentos e maior integração do estado às cadeias nacionais e internacionais.

FONTE: FOLHAVITORIA

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