Cavalo-marinho em sistema de recirculação ecológico eleva sobrevivência e reduz custos
Tanque comercial retrofitado para o sistema de recirculação aquícola (RAS) com zero troca de água e policultivo
Pesquisadores da Universidade de Fuzhou, na China, em parceria com a fazenda comercial Lanliang Marine Biotechnology Co., Ltd., demonstraram que a migração do sistema tradicional de fluxo contínuo para um sistema de recirculação ecológico com zero troca de água aumenta a rentabilidade e a eficiência da produção do cavalo-marinho (Hippocampus abdominalis). A inovação técnica responde ao cenário de desvalorização comercial da espécie e reduz de forma expressiva os custos operacionais do cultivo marinho intensivo.
Desafios econômicos no cultivo convencional
A aquicultura comercial de Hippocampus abdominalis enfrenta forte pressão de mercado devido à queda drástica nos preços do produto seco, somada aos altos custos operacionais do sistema tradicional de fluxo contínuo. Nesse modelo convencional, a taxa diária de renovação de água supera 150%, o que exige o funcionamento ininterrupto de sistemas de resfriamento para manter a temperatura hídrica na faixa ideal de 17 °C a 19 °C. O intenso consumo de eletricidade e o custo com alimento congelado corroem as margens de lucro dos produtores.
Integração ecológica e manejo otimizado
Para solucionar esse gargalo, a equipe retrofitou tanques comerciais convertendo-os em um RAS ecológico integrado ao policultivo com o camarão-kuruma (Penaeus japonicus). No sistema, os camarões foram introduzidos no fundo dos tanques para consumir restos de ração e fezes, auxiliando na manutenção do ambiente bentônico. Além disso, o sistema contou com reatores biológicos de leito móvel, controle de iluminação restrito aos horários de alimentação para condicionar o comportamento predatório dos cavalos-marinhos e enxágue dos mysídeos congelados para evitar o acúmulo de matéria orgânica solúvel na água.
Incremento em sobrevivência e economia de energia
Os resultados ao final dos 90 dias de cultivo demonstraram que o RAS manteve os compostos nitrogenados em níveis seguros, sem impactos nocivos aos animais. A taxa de sobrevivência do cavalo-marinho saltou de 71,45% no sistema tradicional para 83,19% no RAS. Esse avanço elevou a biomassa final colhida para 148,35 kg, representando um aumento de 20,9% em relação ao grupo de controle. O circuito fechado sem troca de água reduziu o consumo de energia elétrica para o controle de temperatura em 75,7%.
Viabilidade financeira e rumos da atividade
A redução de despesas energéticas compensou os custos com insumos de manutenção, gerando uma queda de 9,2% no custo operacional total e de 24,9% no custo de produção por quilo de biomassa. Como resultado, o lucro líquido obtido no sistema de recirculação foi 53,3% maior que no modelo convencional. Os pesquisadores concluem que o arranjo ecológico em RAS oferece uma solução viável e sustentável para assegurar a competitividade da produção marinha diante das oscilações de mercado.

