Alga encontrada na Austrália é a mais tóxica já registrada por cientistas
A proliferação de algas foi detectada pela primeira vez na praia de Waitpinga, na Austrália do Sul — Foto: ABC News/Caroline Horn
Pesquisa revela que a espécie apresentou toxicidade sem precedentes em testes de laboratório, e pode explicar a gravidade da floração de algas que devastou a costa sul da Austrália.
Uma das espécies de microalgas envolvidas na gigantesca floração de algas que atingiu o sul da Austrália foi identificada como a mais tóxica já registrada entre as microalgas nocivas estudadas até hoje.
Um novo estudo, publicado em 6 de julho na revista Nature Ecology & Evolution, ajuda a explicar a dimensão do desastre ambiental que, desde março de 2025, provocou a morte de mais de um milhão de animais marinhos e afetou centenas de espécies ao longo da costa australiana.
A protagonista dessa descoberta é a Karenia cristata, uma espécie pouco conhecida que, até recentemente, nunca havia sido associada a um evento dessa magnitude. Segundo os pesquisadores em comunicado, ela demonstrou uma toxicidade sem precedentes em testes laboratoriais, superando todas as outras microalgas nocivas analisadas anteriormente.
Para chegar a essa conclusão, cientistas da Universidade de Tecnologia de Sydney, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Adelaide e do Instituto Cawthron, na Nova Zelândia, compararam o efeito de diversas espécies de Karenia sobre organismos marinhos. Os experimentos mostraram que bastam concentrações muito menores de K. cristata para provocar efeitos letais em peixes e invertebrados quando comparadas às demais espécies conhecidas.
De acordo com Craig Styan, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Sydney e um dos autores do estudo, a descoberta ajuda a explicar a gravidade da floração de algas registrada no sul da Austrália. Em entrevista à ABC News, ele afirmou que bastam alguns milhares de células de K. cristata por litro de água para produzir impactos biológicos significativos.
Os resultados também ajudam a explicar a gravidade da floração de algas que atinge o sul da Austrália desde o ano passado. Segundo a revista Smithsonian, ela se espalhou por cerca de 20 mil km² da costa australiana e está associada à morte de aproximadamente um milhão de animais marinhos, pertencentes a mais de 600 espécies.
Segundo o estudo, a Karenia cristata faz parte de um grupo de cinco espécies do gênero Karenia identificadas durante a floração. No entanto, ela se destacou por produzir brevetoxinas, substâncias extremamente potentes que afetam o sistema nervoso dos animais marinhos. Em seres humanos, essas toxinas também podem causar problemas de saúde, mas os sintomas variam conforme a forma de exposição.
Os pesquisadores afirmam que essa é a primeira vez que a K. cristata é registrada em águas australianas. Antes disso, ela havia sido identificada apenas na África do Sul e na região de Terra Nova, no Canadá.
Embora o estudo represente um avanço importante para compreender o desastre, os cientistas destacam que ainda são necessárias novas pesquisas para entender como essa microalga se espalha e quais fatores favorecem sua proliferação. Essas informações podem contribuir para o monitoramento de futuras florações de algas nocivas e para a redução de seus impactos nos ecossistemas marinhos.
FONTE: REVISTAGALILEU

