Clima em alerta: Super El Niño ganha força no Pacífico e já causa inundações no Sul do Brasil
Meteorologista alerta para risco de “cheias, alagamentos e deslizamentos”; El Niño se forma no Pacífico com anomalias superiores a 2°C
Organização Meteorológica Mundial confirma intensificação do fenômeno, que deve atingir o pico entre o fim de 2026 e o início de 2027. Cidades da Região Sul sofrem com rios acima da cota.
O clima na Região Sul do Brasil já sente os reflexos diretos das mudanças no Oceano Pacífico. Na última semana, a OMM (Organização Meteorológica Mundial) confirmou a consolidação do fenômeno El Niño, que deve se intensificar significativamente nos próximos meses. Os impactos imediatos são visíveis em solo brasileiro, onde diversos municípios estão em estado de atenção devido à elevação do nível dos rios e ao risco iminente de inundações.
No último fim de semana, o Rio Uruguai ultrapassou a cota de inundação ao atingir a marca de 9,57 metros. O cenário mobilizou comitês de defesa civil e equipes de monitoramento nas cidades ribeirinhas para prestar assistência às áreas afetadas.
O papel do El Niño nas tempestades
De acordo com o meteorologista Peter Scheuer, ouvido pelo ND Mais, a persistência e o grande volume de chuva registrados no Sul do país estão diretamente conectados ao fenômeno climático.
“Esses episódios de chuva já ocorrem sob influência do fenômeno El Niño, que intensifica os sistemas meteorológicos e favorece precipitações mais persistentes e volumosas, especialmente na Região Sul”, explicou Scheuer.
O especialista esclarece que o El Niño não gera as chuvas por si só, mas atua como um amplificador das frentes frias e sistemas de instabilidade que passam pela região. “Na prática, isso aumenta o potencial para episódios recorrentes de chuva acima da média, com impactos acumulados ao longo do tempo. Com isso, a tendência é de continuidade desse padrão de instabilidade, o que eleva o risco de cheias de rios, alagamentos urbanos e deslizamentos em áreas vulneráveis da Região Sul”, completou o meteorologista.
Alerta global para um evento de forte intensidade
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou que o avanço do fenômeno coincide com as projeções feitas anteriormente pelos modelos climáticos e exige atenção global para eventos climáticos extremos.
“As condições do El Niño já estão em curso e prevê-se que se intensifiquem rapidamente, tornando-se um evento forte, conforme previsto com precisão pelas projeções da OMM. Isso aumentará as chances de seca e chuvas intensas, bem como o risco de ondas de calor em terra e ondas de calor marinhas em muitas regiões do mundo”, afirmou a secretária-geral.
Os dados mais recentes do boletim meteorológico apontam que o aquecimento das águas na região do Pacífico Equatorial continuará a subir entre os meses de julho e setembro, registrando anomalias de temperatura superiores a 2°C nas zonas de monitoramento. Os modelos sugerem que o pico de intensidade deste “Super El Niño” deverá ocorrer entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Entenda o fenômeno
O El Niño se origina a partir de uma quebra no padrão de circulação de ventos e temperaturas entre o oceano e a atmosfera. Em períodos de normalidade, os chamados ventos alísios sopram em direção ao oeste do Pacífico, empurrando as águas quentes superficiais e permitindo que as águas mais frias das profundezas subam na costa da América do Sul (processo conhecido como ressurgência).
Quando esses ventos enfraquecem, a água aquecida fica represada na porção central e leste do oceano. Essa mudança eleva as taxas de evaporação e desregula os padrões de circulação atmosférica em escala global, alterando drasticamente a distribuição de períodos de seca e de chuvas em diferentes continentes.

