Satélites registram ondas de 35 metros no Pacífico Norte e revelam uma força do oceano que os modelos não previam

Satélites registram ondas de 35 metros no Pacífico Norte e revelam uma força do oceano que os modelos não previam

As ondas mais extremas do Pacífico Norte agora podem ser medidas do espaço com uma precisão inédita. No fim de 2024, a Tempestade Eddie gerou paredões de água de até 35 metros, altura semelhante à de um prédio de 12 andares, e expôs falhas importantes nos modelos usados para prever o oceano extremo.

Como satélites registraram ondas de 35 metros no Pacífico Norte?

A medição foi possível graças ao satélite SWOT (Surface Water and Ocean Topography), uma missão conjunta da NASA com a agência espacial francesa CNESSegundo a Futura Sciences, o equipamento registrou em detalhe ondas extremas geradas pela Tempestade Eddie no fim de 2024.

O estudo foi liderado pelo oceanógrafo Fabrice Ardhuin, do Institut de Physique de l’Océan et de l’Espace, na França, e publicado em setembro de 2025 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O que o satélite SWOT mediu nessas ondas gigantes?

SWOT consegue medir tanto a altura quanto o comprimento de onda em alto-mar, mesmo quando as cristas estão separadas por mais de 500 metros. Isso permite observar ondulações oceânicas muito longe da costa, onde boias e navios raramente conseguem registrar eventos com a mesma cobertura.

Os dados mais importantes da medição mostram por que a Tempestade Eddie chamou tanta atenção dos pesquisadores:

  • As maiores ondas chegaram a aproximadamente 35 metros de altura.
  • As ondas médias ultrapassaram 19 metros, ou cerca de 62 pés.
  • As cristas longas puderam ser medidas mesmo em áreas remotas do Pacífico Norte.
  • O registro revelou uma energia oceânica que os modelos anteriores não descreviam corretamente.

Relevo oceânico mostra altura e espaçamento das ondas medidas

Por que as ondas da Tempestade Eddie viajaram 24 mil quilômetros?

Tempestade Eddie foi uma das mais intensas do Pacífico nos últimos 34 anos. Suas ondas se propagaram por cerca de 24 mil quilômetros, atravessaram a Passagem de Drake, entre a América do Sul e a Antártida, e chegaram ao Atlântico Tropical no início de 2025.

Para visualizar a escala desse fenômeno, o canal Diário do Litoral, com 7,98 mil inscritos, publicou um vídeo com 263 visualizações sobre as ondas de 35 metros detectadas por satélite em uma área remota do Oceano Pacífico, entre o Havaí e as Ilhas Aleutas:

Como os modelos erravam a energia das ondas extremas?

A descoberta expôs uma falha relevante nos modelos oceanográficos usados até então. Os cálculos anteriores superestimavam em até 20 vezes a energia transportada pelas ondas de maior comprimento, o que indicava uma distribuição de força diferente da observada pelo SWOT.

Com os novos dados, os pesquisadores passaram a trabalhar em um modelo espectral mais preciso para ondas extremas. Essa revisão considera interações não lineares entre ondas curtas e longas, efeitos que antes eram pouco incorporados nas previsões de alto-mar.

Por que essas ondas importam para navios e plataformas?

Ondas extremas não são apenas um fenômeno visual impressionante. Para navios cargueiros, plataformas de energia offshore, cabos submarinos e portos, uma parede de água de dezenas de metros representa risco direto à segurança, à navegação e à engenharia marítima.

O monitoramento por satélite pode ajudar a transformar esse risco em informação útil para diferentes setores:

  • Identificar áreas perigosas antes que as ondas alcancem rotas de navegação.
  • Ajustar trajetos de embarcações em alto-mar durante tempestades intensas.
  • Revisar normas de engenharia para plataformas e estruturas costeiras.
  • Melhorar modelos usados para prever erosão, ressacas e impacto em portos.

O aquecimento global pode tornar essas ondas mais intensas?

A equipe de Fabrice Ardhuin ainda investiga se a força de megatempestades como a Eddie está ligada às mudanças climáticas. A questão é importante porque tempestades mais intensas podem gerar ondas mais altas, mais longas e capazes de viajar grandes distâncias.

O papel do SWOT será central nessa análise. Ao medir o oceano com mais detalhe, o satélite permite comparar eventos extremos ao longo do tempo e verificar se a energia das tempestades está mudando junto com o clima global.

As ondas vistas do espaço mudam a leitura do oceano extremo

As ondas de 35 metros registradas no Pacífico Norte mostram que parte da força do oceano ainda escapava das previsões tradicionais. O que antes era estimado por modelos agora pode ser medido diretamente do espaço, mesmo em regiões distantes de qualquer costa.

Tempestade Eddie revelou que o oceano não transporta energia de forma simples nem previsível. Cada novo registro do SWOT ajuda a transformar fenômenos invisíveis em dados concretos para ciência, navegação e segurança marítima.

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