Peixe raro e ‘gigante’ reaparece em mergulho e impressiona com imagens inéditas em baía de SC

Peixe raro e ‘gigante’ reaparece em mergulho e impressiona com imagens inéditas em baía de SC

Monitoramento realizado em janeiro de 2026 registra reaparecimento de espécie ameaçada e reforça papel da Baía Babitonga como berçário natural dos peixes meros.

Imagens inéditas registradas durante um mergulho de monitoramento revelam a presença e o comportamento de meros conhecidos como os “gigantes gentis do mar” nas proximidades da Baía Babitonga, no Norte de Santa Catarina.

A expedição faz parte do trabalho contínuo do Projeto Meros do Brasil, que acompanha uma área de agregação da espécie há anos. Os mergulhos mais recentes ocorreram no fim de janeiro, dentro da rotina anual de monitoramento.

Nas imagens é possível visualizar algumas estruturas. Áthila Bertoncini, oceanógrafo, mestre em Zoologia e coordenador em Santa Catarina do projeto Meros do Brasil, explicou ao ND Mais que elas fazem parte do local onde eles monitoram os peixes.

“São da parte do local onde a gente monitora as agregações, eles gostam muito dessas estruturas de naufrágios e piers. Eles ficam abrigados ali e gostam muito dessas zonas sombreadas”, disse.

No local, os pesquisadores mantêm o acompanhamento de cerca de 30 peixes meros, já identificados e, em alguns casos, marcados com transmissores de telemetria.

O que são e para que servem os transmissores?

“Os dispositivos emitem sinais ultrassônicos que são captados por receptores instalados em pontos estratégicos da baía”, disse Áthila. A tecnologia permite entender por onde os peixes circulam, além de identificar padrões de comportamento e uso do habitat ao longo do tempo.

A área monitorada fica em uma região conhecida como “bota-fora”, formada a partir da derrocagem do canal do porto. O processo acabou criando um recife artificial.

Mero: o simpático dos mares

Ele é considerado um dos maiores peixes ósseos do Atlântico. Peixes ósseos são aqueles cujo esqueleto é formado principalmente por ossos, e não por cartilagem (como ocorre nos tubarões e nas raias).

O Mero pode alcançar até 2 metros de comprimento, e, apesar do porte impressionante, é considerado um peixe pacífico, curioso e “sedentário”. Costuma se movimentar pouco entre os recifes. Por esse comportamento tranquilo, ganhou o apelido carinhoso de “gigante gentil”.

Áthila explicou que, por conta do tamanho, ele não é um “bom nadador”. “Então a forma dele caçar é ficar parado e quando passa algum animal na sua frente ele abre a boca e faz um movimento de sucção”, diz Bertoncini.

Baía Babitonga e a reprodução dos Meros

Áthila explica que áreas como estuários e mangues, como é o caso da Baía Babitonga, são fundamentais para a reprodução. “Durante períodos como o verão eles formam as agregações nesses locais para se reproduzirem”, explica.

Apesar de serem animais com hábitos mais solitários, nessas épocas são vistos juntos, o que dá até uma falsa impressão de que existem muitos deles.

Segundo o oceanógrafo, as larvas são fecundadas e presisam ser levadas pelas correntezas para dentro dos manguezais. “Tanto que não encontramos juvenis de mero, com cerca de 10 a 15 cm, no ambiente marinho, eles só aparecem dentro do mangue”, diz.

Ao longo de sua vida ele vive por ali, pelo manguezal, até que por volta dos 7 anos, quando alcançam uma “maturidade”, tendem a migrar para o mar aberto. Nesse estágio eles já podem chegar a 70 kg, o que já é bastante impressionante, mas ainda pequeno quando comparado aos adultos.

Apesar de serem animais com hábitos mais solitários, nessas épocas são vistos juntos, o que dá até uma falsa impressão de que existem muitos deles

Dificuldades de preservação

O mero está classificado como criticamente ameaçado de extinção. As principais ameaças à sobrevivência do peixe estão ligadas à destruição de habitats, à pesca predatória e à comercialização. Por isso, desde 2002, a pesca do Mero é proibida em todo o território nacional.

O longo ciclo de vida é um dos desafios na proteção da espécie. “Mesmo que a pesca seja proibidade desde 2022, pelo longo ciclo de vida ainda não conseguimos proteger uma geração inteira, por exemplo”, explica Áthila.

FONTE: NDMAIS.COM.BR

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