Projeto da GNA integra logística inteligente de GNL com produção de hidrogênio via energia solar

Projeto da GNA integra logística inteligente de GNL com produção de hidrogênio via energia solar

Investimento de R$ 14,3 milhões da GNA aposta em inovação para otimizar a logística de GNL e desenvolver produção de hidrogênio usando energia solar e água do mar, criando um modelo mais eficiente e sustentável para operações termelétricas no Brasil.

A modernização da infraestrutura energética no Brasil passa cada vez mais pela integração de inovação tecnológica, combustíveis estratégicos e soluções de baixo carbono. Nesse contexto, o projeto desenvolvido pela GNA (Gás Natural Açu) surge como um exemplo de como diferentes tecnologias podem ser combinadas para aumentar eficiência, reduzir custos e preparar o setor energético para os desafios da transição energética.

Segundo matéria publicada pelo Cenário Energia no dia 9 de março, a empresa anunciou investimentos de R$ 14,3 milhões em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) voltados à otimização de operações e à redução de custos operacionais no complexo termelétrico localizado no Porto do Açu, no estado do Rio de Janeiro. As iniciativas são realizadas em parceria com a empresa Jordão Energia e fazem parte do programa regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

Os projetos envolvem duas frentes tecnológicas principais. A primeira é o desenvolvimento do software GNOMO, que busca otimizar a logística do GNL utilizado nas usinas termelétricas. A segunda envolve um sistema inovador que utiliza energia solar e água do mar para viabilizar a produção de hidrogênio e outros insumos químicos essenciais para a operação da usina.

GNA aposta em inovação tecnológica para otimizar logística do GNL

A primeira iniciativa do programa de inovação da GNA é o desenvolvimento do GNOMO (Gas Nomination Model), um software criado para aprimorar a gestão logística do GNL utilizado no complexo termelétrico do Porto do Açu. O gás natural liquefeito é um dos combustíveis mais importantes para garantir estabilidade ao sistema elétrico brasileiro. 

Nesse cenário, a eficiência na gestão do GNL se torna fundamental. O software GNOMO foi desenvolvido em parceria com a consultoria PSR e permite realizar modelagens integradas entre as usinas termelétricas e o terminal de regaseificação existente no complexo. A plataforma digital auxilia no processo de nomeação das cargas de GNL, etapa essencial na cadeia logística do combustível. Essa fase envolve decisões sobre contratação, programação de entrega e utilização do gás nas usinas.

O sistema incorpora variáveis operacionais e incertezas do sistema energético, permitindo simular cenários e apoiar decisões estratégicas. Com isso, a GNA passa a ter uma visão mais ampla sobre a operação do combustível ao longo do tempo.

O projeto recebeu investimento de R$ 4,5 milhões e foi oficialmente concluído em janeiro de 2026. No entanto, o software já vinha sendo utilizado desde 2024 em ambiente operacional real pela equipe técnica da empresa, o que permitiu aprimorar o sistema antes da finalização do projeto. Entre os avanços recentes, a ferramenta passou a incorporar simulações de longo prazo mais robustas, ampliando a capacidade analítica da empresa para avaliar cenários futuros de investimento e operação.

Produção de hidrogênio com energia solar cria novo modelo de autossuficiência industrial

Outro projeto estratégico da GNA envolve o desenvolvimento de um sistema inovador voltado à produção de hidrogênio e de insumos químicos essenciais para a operação da usina.

Conhecida internamente como Projeto Hipoclorito, a iniciativa busca desenvolver um sistema baseado na eletrólise da água do mar, processo que utiliza eletricidade para separar os elementos químicos presentes na água.

A inovação do projeto está na fonte de energia utilizada para esse processo. Todo o sistema foi concebido para operar exclusivamente com energia solar, por meio de uma planta fotovoltaica dedicada.

Esse modelo cria um ciclo produtivo integrado dentro da própria usina termelétrica. A água do mar é utilizada como matéria-prima, enquanto a eletricidade gerada pela energia solar alimenta o processo de eletrólise.

Durante o processo ocorre a produção de hidrogênio, que poderá ser utilizado em diferentes sistemas industriais da usina, além da geração de outros insumos importantes para o funcionamento do complexo energético.

Entre os produtos gerados estão:

  • Hipoclorito de sódio, utilizado na sanitização da água das torres de resfriamento;
  • Amônia, usada no controle de pH da água da caldeira;
  • Nitrogênio, empregado na preservação de equipamentos industriais.

O hidrogênio obtido no processo também pode ser utilizado no resfriamento do gerador da turbina a vapor, aplicação comum em sistemas termelétricos.

O projeto conta com investimento de R$ 9,8 milhões e tem previsão de execução até setembro de 2026. Atualmente, os principais equipamentos necessários para o sistema, incluindo os eletrocloradores, estão em fase final de fabricação.

Integração entre GNL, produção de hidrogênio e energia solar fortalece eficiência energética

A estratégia da GNA vai além da implementação isolada de tecnologias. O diferencial do projeto está justamente na integração entre diferentes soluções energéticas dentro de uma mesma operação industrial.

De um lado, o software GNOMO permite aprimorar a gestão do GNL, tornando mais eficiente a logística de combustível que alimenta as usinas termelétricas. Do outro, o sistema de produção de hidrogênio alimentado por energia solar cria uma alternativa sustentável para geração de insumos químicos essenciais à operação.

Essa combinação reduz dependência de fornecedores externos e aumenta a previsibilidade operacional da planta. Ao produzir internamente alguns insumos utilizados no funcionamento da usina, a empresa diminui custos logísticos e riscos de abastecimento. Ao mesmo tempo, o uso de energia solar em processos industriais auxilia na redução de emissões indiretas e no avanço de estratégias de sustentabilidade corporativa.

Segundo Luiz Rodrigues, gerente-geral de inovação e estratégia da GNA, projetos como o GNOMO e o sistema de produção autônoma de insumos demonstram o compromisso da companhia em integrar tecnologias digitais e soluções de baixo carbono à sua operação. A iniciativa mostra como empresas do setor elétrico podem utilizar inovação para aumentar eficiência operacional sem comprometer a segurança energética.

Inovação tecnológica ganha espaço nas operações termelétricas brasileiras

O investimento em projetos de pesquisa e desenvolvimento realizados pela GNA reflete uma tendência crescente no setor energético brasileiro. Cada vez mais, empresas do setor elétrico buscam integrar digitalização, automação e novas tecnologias energéticas em suas operações.

Programas de PD&I regulados pela ANEEL têm desempenhado papel importante nesse processo. Esses programas permitem que concessionárias e empresas do setor invistam em projetos inovadores que podem gerar melhorias operacionais e tecnológicas para o sistema elétrico nacional.

No caso da GNA, a digitalização da logística do GNL e o desenvolvimento de soluções internas para produção de hidrogênio demonstram como esses programas podem gerar resultados concretos para o setor. Além de melhorar a eficiência das usinas existentes, iniciativas como essa contribuem para modernizar a infraestrutura energética brasileira.

A combinação entre tecnologias digitais, combustíveis de transição energética e fontes renováveis, como a energia solar, tem sido apontada por especialistas como uma das principais estratégias para garantir segurança energética e reduzir impactos ambientais no longo prazo.

Iniciativa da GNA traz novo paradigma para eficiência operacional no setor energético

O projeto da GNA representa um passo importante na evolução das operações energéticas no Brasil. Ao integrar gestão avançada do GNL, produção de hidrogênio e uso estratégico de energia solar, a empresa demonstra que a inovação pode transformar profundamente a forma como grandes complexos energéticos operam.

Os investimentos de R$ 14,3 milhões em inovação mostram que a busca por eficiência não está restrita apenas à geração de energia, mas também à gestão de combustíveis, à digitalização de processos e à produção sustentável de insumos industriais.

Esse modelo integrado tende a ganhar relevância nos próximos anos, especialmente em um cenário em que empresas precisam equilibrar segurança energética, competitividade econômica e sustentabilidade ambiental.

Se os resultados esperados forem confirmados, iniciativas como essas podem servir de referência para outros projetos no setor elétrico brasileiro, consolidando um novo padrão de eficiência operacional baseado em tecnologia, integração energética e inovação industrial.

FONTE: CPG

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