O que vem a ser “conscientização na pesca esportiva”?
Pescar & Devolver é um assunto cada vez mais comentado entre nós, pescadores esportivos. Mas, na verdade, vai muito além de soltar o peixe depois da captura. Antes de pensar em devolver, é preciso garantir que o peixe exista, esteja saudável e possa ser fisgado.
Vivemos num país imenso, cheio de rios, lagos e mares, com uma diversidade de espécies que é um verdadeiro tesouro. Só que, ao longo do tempo, deixamos escapar espécies exóticas — muitas vezes por acidente — e até criamos híbridos nos pesque-pagues, que não se reproduzem naturalmente. Isso mostra como já mexemos bastante na base da natureza.
O que falta agora é consciência e respeito: seguir as regras de licença, respeitar a piracema, entender que a pesca não é só diversão, mas também responsabilidade. Eu não sou diferente de outros apaixonados pela pescaria, mas confesso que penso muito no que vou deixar para meus netos. Quero que eles também tenham o prazer de lançar uma linha e sentir a emoção de uma fisgada.
Temos sorte de ter tantos pontos de pesca, seja em água doce ou salgada. Claro que comer um peixe fresco é bom, mas melhor ainda é vê-lo crescer e poder capturá-lo de novo no futuro. Não é pecado levar alguns peixes para casa, mas encher o freezer ou distribuir para todo mundo não faz sentido — além de dar trabalho com transporte e conservação.
Já levei muito peixe para casa, mas com o tempo percebi que a verdadeira pesca esportiva não é isso. É respeitar a natureza, entender a cadeia alimentar e manter o equilíbrio da vida aquática.
Também precisamos lembrar que muitos pescadores não são esportivos, mas vivem da pesca para sustentar suas famílias. É difícil pedir para alguém largar essa atividade sem ter outra opção de renda. A equação é complicada, mas ainda dá para equilibrar: diversão, consciência e respeito.
No fim das contas, pescar é muito mais do que fisgar. É cuidar para que sempre haja peixe para todos nós.
Fonte: Pescador Anônimo