Elevação do nível do mar será maior que o previsto
A elevação do nível do mar e a intensificação de tempestades já colocam centenas de milhões de pessoas em risco nas zonas costeiras.
Segundo o IPCC no Relatório de Avaliação AR6 (Grupo II), entre 190 e 300 milhões de pessoas poderão viver em áreas sujeitas a inundações costeiras anuais até 2050, dependendo do cenário de emissões.
O relatório afirma ainda que, sem cortes profundos nos gases de efeito estufa, o nível médio do mar pode subir cerca de 0,6 a 1 metro até 2100, aumentando drasticamente danos por tempestades, ressacas e ciclones. Em cenários de altas emissões, os prejuízos econômicos costeiros podem crescer várias vezes ao longo do século.
As fontes principais do aumento do nível do mar
O aumento do nível do mar tem três fontes principais, segundo o Relatório AR6, Grupo I, 2021.
O primeiro fator é a expansão térmica. O oceano absorve mais de 90% do calor extra do aquecimento global. Ao esquentar, a água se dilata e o nível do mar sobe, mesmo sem nova água. Entre 1971 e 2018, esse processo respondeu por cerca de metade da elevação registrada.
Outro fator fator é o derretimento das geleiras de montanhas. Elas responderam por pouco mais de um quinto da elevação observada no período.
O terceiro componente é a perda de massa das grandes camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica. A Groenlândia já responde por cerca de um quinto da elevação recente. A Antártica contribui com parcela menor, mas crescente.
O ritmo de perda acelerou desde os anos 1990, o que preocupa cientistas, porque essas reservas contêm gelo suficiente para elevar o nível do mar em vários metros no longo prazo.
Os Estados Unidos fora do Acordo de Paris e o enfraquecimento da ciência climática
Com a saída dos EUA do Acordo de Paris e o enfraquecimento de estruturas federais ligadas ao clima durante o governo de Donald Trump, o esforço global de coordenação perdeu peso político e financeiro. Cortes e restrições atingiram órgãos estratégicos como a NOAA – Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, e a NASA, responsáveis por monitorar temperatura, oceanos, eventos extremos e nível do mar.
Hoje, o maior emissor é a China, com cerca de 30% das emissões globais. Os Estados Unidos seguem como maior emissor histórico acumulado e responsáveis por cerca de 11–14% das emissões globais.
Em seguida vem a Índia, com 7% das emissões e, depois, em quarto lugar, a União Europeia que emite entre 6 e 7% dos gases de efeito estufa.
Incluindo mudança de uso da terra (desmatamento), o Brasil ocupa atualmente a 5ª posição entre os maiores emissores globais de gases de efeito estufa.
Onde haverá os maiores danos?
As regiões do mundo que mais sofrem com a subida do nível do mar são as nações insulares de baixa altitude e as áreas densamente povoadas do Sudeste Asiático.
Embora o aumento médio global já seja alarmante, fatores locais agravam o problema. A subsidência, ou seja, o afundamento do solo, acelera a perda de território. A geografia dos grandes deltas também amplia o impacto.
Em muitos desses pontos vulneráveis, o mar avança mais rápido do que a média global.
Entre os mais afetados estão Tuvalu, Kiribati e Ilhas Marshall: Países compostos por atóis de coral com elevação média de apenas 2 metros. Tuvalu já assinou um acordo histórico com a Austrália para permitir a migração de seus cidadãos como refugiados climáticos.
Mas não são apenas estes territórios os mais afetados. Vilas inteiras já estão sendo realocadas para terrenos mais altos devido a inundações constantes em Fiji e Ilhas Salomão.
Paradoxalmente, Barbados, no Caribe, e Singapura, no Sudeste Asiático, chamam a atenção do mundo.
As duas nações investem pesado em ciência e em soluções baseadas na natureza para ganhar espaço ao mar. Em vez de recuar diante da elevação do nível do mar, ampliam seus territórios com planejamento e tecnologia.
As cidades mais ameaçadas no Brasil
Já escrevemos sobre isso ao repercutir um estudo da ONG Climate Central, especializada em ciência do clima, que apontou Porto Alegre, Santos, Salvador, Recife, Fortaleza e São Luís na liderança do ranking nacional de vulnerabilidade costeira.
Dos locais apontados pela ONG, o único que aparentemente tem planos para mitigar o problema é Santos.
As outras cidades citadas seguem inertes. Enquanto isso, seus litorais enfrentam severa erosão e perdem faixa de areia ano após ano.