CAIS DO IMPERADOR E CAIS DA IMPERATRIZ
Localização: 21°38’0.582” S; 41°02’59.564” O (Cais do Imperador) | 21°38’7.206” S; 41°03’2.642” O (Cais da Imperatriz)
Descrição: O transporte fluvial pelo Rio Paraíba do Sul foi de grande importância para o desenvolvimento do município de São João da Barra, que manteve inicialmente sua economia de subsistência na pesca, criação de gado e cultivo da cana de açúcar. Foi através do escoamento da produção açucareira que houve o crescimento do porto e, assim, da cidade e sua população também. Em 1847, os moradores da Vila de São João da Praia receberam a ilustre visita do Imperador D. Pedro II, que prometeu torná-la cidade. Ele desembarcou de sua galeota em um porto, posteriormente nomeado Cais do Imperador, localizado na praça que estava preparada com um tapete de folhas e flores, conduzindo-o até a Igreja Matriz. Ele visitou a Casa de Câmara e Cadeia e ainda fez uma doação para a construção de uma casa de caridade, além de examinar alguns papéis. Em 1850, o Imperador assinou o decreto oficializando a cidade de São João da Barra. O Cais do Imperador está localizado na Praça dos Quiosques, próximo a ele há outro cais, conhecido como Cais da Imperatriz. Este nome foi uma alusão à esposa de D. Pedro II, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, devido a suas visitas a São João da Barra e, em especial, a sua vinda juntamente com o Imperador para a inauguração da Usina Barcelos, em 1878. A usina foi instituída pelo decreto n° 5277/1876 para estabelecimento de engenhos centrais no Brasil. Foi a primeira indústria na região a não utilizar a mão-de-obra escravizada, sendo responsável pelo surgimento da localidade de Barcelos, sendo hoje o 6° Distrito de São João da Barra. O piso dos Cais do Imperador e da Imperatriz são do tipo conhecido como pé-de-moleque, onde os blocos irregulares de rocha são assentados lado a lado formando uma espécie de mosaico. As rochas utilizadas não são da região, onde predominam sedimentos inconsolidados, menos resistentes, características de ambiente fluvial e costeiro. Então foram utilizadas rochas metamórficas provenientes do Rio de Janeiro. Essas rochas são gnaisses de dois tipos: Gnaisse Leptinítico, uma rocha clara, com presença de quartzo, feldspato, pouca biotita e minúsculos cristais de granada; e Gnaisse Facoidal, onde se destacam grandes cristais de feldspato. Essas e outras rochas do Rio de Janeiro também foram utilizadas em construções tombadas como patrimônio em São João da Barra, as quais podemos citar a cantaria da porta principal da Igreja Matriz de São João Batista e as molduras da janela na Antiga Casa de Câmara e Cadeia Municipal, ambos belos prédios históricos e conservados. Além do valor histórico-cultural e científico, a beleza da paisagem se destaca, onde o pôr-do-sol no Rio Paraíba do Sul é um espetáculo à parte.